🌀 Sumário do Artigo
- A Escalada dos Golpes Digitais e a Resposta da Visa
- O Poder da Inteligência Artificial na Luta Contra a Fraude
- Desvendando Redes Criminosas: O Caso Europeu
- A Evolução da Ameaça: Engenharia Social Habilitada por IA
- Colaboração e Futuro da Segurança de Pagamentos
- Perguntas Frequentes
- •Qual é o principal objetivo da equipe Visa Scam Disruption (VSD)?
- •Como a IA da Visa consegue identificar golpes tão sofisticados?
- •Qual o impacto da engenharia social no cenário atual de fraudes?
- Fontes e Referências
A era digital, embora traga inovações e conveniência sem precedentes, também abriu as portas para uma sofisticação crescente de ameaças cibernéticas. Golpes digitais, antes mais rudimentares, agora se valem de táticas complexas e, cada vez mais, da própria inteligência artificial para enganar consumidores e instituições financeiras. Nesse cenário desafiador, empresas líderes em pagamentos estão na linha de frente, desenvolvendo defesas igualmente avançadas e proativas. A Visa, gigante global em pagamentos digitais, revelou um marco significativo em sua batalha contra o crime financeiro, anunciando que sua força-tarefa especializada em segurança, equipada com IA, interceptou um impressionante montante de US$ 2,6 bilhões em atividades fraudulentas.
Resposta Rápida (TL;DR): A equipe Visa Scam Disruption (VSD), um grupo de especialistas multidisciplinares impulsionados por Inteligência Artificial e análise de dados, identificou e ajudou a desmantelar mais de US$ 2,6 bilhões em atividades fraudulentas globais em pouco mais de dois anos. Essa iniciativa proativa da Visa destaca a escalada das ameaças de golpes digitais, que se beneficiam da engenharia social e da IA, e reforça a necessidade de uma defesa tecnológica e colaborativa para proteger o ecossistema de pagamentos em escala mundial.
A Escalada dos Golpes Digitais e a Resposta da Visa
A sofisticação das táticas criminosas no ambiente digital atingiu um novo patamar, transformando os golpes em uma das ameaças mais persistentes e financeiramente devastadoras para consumidores e empresas em todo o mundo. Em um cenário onde a digitalização dos serviços financeiros avança a passos largos, a capacidade de identificar e neutralizar essas ameaças tornou-se crucial. A Visa, consciente dessa realidade, estabeleceu a equipe Visa Scam Disruption (VSD), uma unidade especializada que tem operado na vanguarda dessa luta.
Em um anúncio que coincidiu com a Cúpula Global da Aliança Antifraude em Lisboa, Portugal, a Visa trouxe à tona os resultados notáveis de sua força-tarefa: a VSD identificou e contribuiu para a interrupção de mais de US$ 2,6 bilhões em atividades fraudulentas em apenas dois anos de atuação. Essa cifra expressiva não apenas reflete a magnitude da ameaça que os golpes representam para a economia digital global, mas também sublinha a eficácia da abordagem proativa da Visa, que emprega tecnologias avançadas de inteligência artificial para desmantelar redes criminosas antes que elas possam infligir danos irreparáveis aos usuários.
A escala do problema é amplamente confirmada por dados de diferentes mercados. Somente no segundo semestre de 2025, a equipe VSD mapeou um aumento de 22% na incidência de golpes em comparação com o mesmo período do ano anterior, evidenciando uma aceleração contínua e preocupante das atividades fraudulentas. No Brasil, por exemplo, o impacto desses crimes é sentido de forma ainda mais acentuada. Relatórios da Febraban indicam que os golpes financeiros resultaram em perdas de R$ 10,1 bilhões em 2024, representando um aumento significativo de 17% em relação aos R$ 8,6 bilhões registrados em 2023. As fraudes envolvendo o Pix, em particular, mostraram um crescimento alarmante de 43%, totalizando R$ 2,7 bilhões em prejuízos.
É fundamental notar que a maior parte dessas perdas não provém de violações diretas de sistemas de segurança ou invasões de aplicativos bancários, mas sim de táticas de engenharia social. Nesses esquemas, os criminosos manipulam as vítimas para que elas próprias forneçam dados sensíveis ou autorizem transações, sob coação ou engano. Esse padrão é consistente com o que a equipe VSD observa em escala global, onde transações que parecem legítimas são, na realidade, o resultado de uma elaborada manipulação do cliente.
O Poder da Inteligência Artificial na Luta Contra a Fraude
A eficácia da Visa na neutralização desses bilhões em fraudes reside na sua equipe VSD e na sua abordagem inovadora. Esta não é uma equipe de segurança tradicional; é uma força-tarefa única e multidisciplinar, especialmente concebida para enfrentar os desafios do cibercrime na era moderna. Seus membros incluem cientistas de dados, engenheiros, desenvolvedores de IA e profissionais com vasta experiência em aplicação da lei e nas forças armadas. Essa diversidade de conhecimentos, que combina o rigor da análise de dados com a experiência prática em investigação criminal, é um diferencial crítico no combate aos esquemas complexos e multifacetados que caracterizam os golpes digitais de hoje.
A principal arma da equipe VSD é a sua capacidade de processar e analisar o vasto e contínuo fluxo de dados anonimizados que percorre a rede global da Visa. A equipe emprega dados em nível de rede e ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (Gen AI) para examinar volumes imensos de informações. Os modelos de IA são meticulosamente treinados para identificar padrões sutis, anomalias e conexões que, embora possam parecer insignificantes isoladamente, são indicativos de operações criminosas organizadas quando analisados em conjunto.
Essa capacidade de inteligência preditiva permite aos investigadores da VSD interligar atividades fraudulentas que, à primeira vista, poderiam parecer desconectadas. Ao fazê-lo, a equipe consegue revelar a extensão completa de uma rede criminosa, compreendendo suas ramificações e métodos de operação. A detecção precoce desses padrões é crucial, pois permite que a equipe colabore prontamente com bancos parceiros e autoridades policiais ao redor do mundo para desmantelar essas operações de forma eficaz. Essa ação coordenada garante que os golpes sejam interrompidos antes que possam causar danos financeiros substanciais aos consumidores, criando uma barreira de proteção robusta.
David Capezza, Chief Risk Officer da Visa Europe, reforça a importância desse trabalho, afirmando que "todos os dias, os membros da equipe VSD trabalham incansavelmente para identificar e ajudar a desmantelar redes criminosas globais que visam consumidores desavisados em todo o mundo. O trabalho que eles fazem para proteger os consumidores garante um ecossistema mais forte e resiliente que beneficia a todos". Essa declaração sublinha o compromisso da Visa não apenas em reagir a ameaças, mas em atuar proativamente para fortalecer a segurança de todo o ecossistema de pagamentos.
Desvendando Redes Criminosas: O Caso Europeu
Para ilustrar a eficácia da abordagem da VSD, um exemplo notável foi a desarticulação de um golpe de "pesquisa" que circulava amplamente em redes sociais na Europa. Este esquema era engenhoso em sua simplicidade e, ao mesmo tempo, em sua capacidade de enganar. Os criminosos atraíam consumidores com a promessa de produtos de alto valor — como caixas de beleza e câmeras digitais — oferecidos a preços extremamente reduzidos, muitas vezes como parte de supostas pesquisas de mercado ou promoções exclusivas.
No entanto, o chamariz inicial era apenas a porta de entrada para uma fraude mais complexa. Após a realização de uma pequena compra inicial, que parecia perfeitamente legítima, as vítimas eram inscritas, sem seu conhecimento ou consentimento explícito, em assinaturas de pagamentos recorrentes e significativamente mais custosas. Essa tática explorava a confiança e a desatenção dos consumidores, transformando uma oferta atraente em uma armadilha financeira.
A equipe VSD, com sua capacidade de análise avançada, lançou-se em uma investigação aprofundada sobre esse golpe. A complexidade do esquema era evidente na teia de aproximadamente 1.000 comerciantes fraudulentos que foram identificados. A inteligência gerada pela Visa não apenas revelou a identidade desses comerciantes, mas também rastreou suas operações através de 21 adquirentes europeus distintos. Essa operação, baseada em inteligência e análise de dados, culminou no desmantelamento completo da rede criminosa, que era responsável por gerar estimados US$ 100 milhões em ganhos fraudulentos, o equivalente a aproximadamente € 85 milhões. O sucesso neste caso específico demonstrou a capacidade da VSD de atuar de forma abrangente e coordenada em múltiplas jurisdições e com diversos parceiros para desarticular operações de grande porte.
A Evolução da Ameaça: Engenharia Social Habilitada por IA
O panorama das ameaças de segurança no setor de pagamentos está em constante mutação, e uma das tendências mais preocupantes é a migração dos criminosos para táticas que exploram a confiança humana. O Relatório de Ameaças Bianual da Visa, intitulado "Spring 2026" e divulgado em 20 de maio de 2026, é categórico ao afirmar que os golpes se consolidaram como a fonte de dano ao consumidor que mais cresce. Esse aumento é atribuído diretamente à crescente utilização de inteligência artificial e engenharia social por parte dos criminosos, que manipulam indivíduos para que eles próprios autorizem pagamentos, validando transações fraudulentas. No período de julho a dezembro de 2025, a Visa registrou quase US$ 1 bilhão em atividades relacionadas a golpes, consolidando-os como a principal categoria de fraude de pagamento ao consumidor.
A distinção crucial é que esses ataques, ao contrário da fraude tradicional que busca quebrar sistemas de segurança, não dependem da violação tecnológica. Em vez disso, os golpistas criam cenários elaborados onde se fazem passar por marcas ou instituições confiáveis, manufacturam um senso de urgência e, de forma astuta, enganam as vítimas para que completem transações que, à primeira vista, parecem perfeitamente legítimas. Paul Fabara, Chief Risk and Client Services Officer da Visa, ressalta essa mudança de paradigma: "Os pagamentos em nível de rede continuam a ficar mais seguros, mas as ameaças estão evoluindo mais rápido do que nunca. Os criminosos estão cada vez mais visando as pessoas em vez da tecnologia, usando engano, urgência e ferramentas habilitadas por IA para explorar a confiança".
O relatório da Visa identifica quatro tendências principais que estão reconfigurando a segurança global de pagamentos:
- A segurança está funcionando, mas a fraude está migrando: As proteções em nível de rede e as autenticações mais robustas estão gerando resultados. A fraude envolvendo tokens de dispositivo, por exemplo, diminuiu 9,6% de julho a dezembro de 2025 em comparação com o mesmo período em 2024. No entanto, essa eficácia está empurrando os criminosos a buscar novas avenidas, como a engenharia social.
- Os golpes estão acelerando: Conforme já mencionado, os golpes se tornaram a ameaça dominante para os consumidores, superando as tentativas de violação direta de sistemas.
- A IA está transformando a fraude em ambos os lados: A inteligência artificial é uma espada de dois gumes nesse contexto. Enquanto os fraudadores a utilizam para criar golpes mais convincentes e em maior escala, os defensores, como a Visa, estão intensificando o uso de IA para detectar e interromper ataques em estágios cada vez mais precoces do ciclo de vida da transação. A capacidade de gerar textos, imagens e até áudios realistas com IA facilita a criação de cenários de golpe extremamente persuasivos e difíceis de discernir.
- A economia do ransomware está mudando: Embora a atividade global de ransomware tenha aumentado 26% de julho a dezembro de 2025 em relação ao ano anterior, a taxa de pagamento de resgates caiu para apenas 23% – a menor já registrada. Isso reflete uma melhoria na capacidade de recuperação e resiliência das vítimas, bem como uma relutância em pagar quando a fuga de dados pode ocorrer independentemente do pagamento.
Michael Jabbara, Senior VP de Risco e Controle do Ecossistema de Pagamentos da Visa, sintetiza o impacto da IA nesse cenário, afirmando que "a rápida adoção da IA baixou fundamentalmente a barreira de entrada para a fraude. O que antes exigia profunda habilidade técnica agora pode ser executado com um prompt". Essa nova realidade torna as defesas baseadas em inteligência e a ação coordenada em todo o ecossistema de pagamentos mais críticas do que nunca para proteger os consumidores antes que a fraude os alcance. Como Jabbara já havia destacado, "golpes são globais, adaptáveis e velozes, e combatê-los exige o mesmo".
Colaboração e Futuro da Segurança de Pagamentos
A intrincada natureza dos golpes digitais e sua rápida evolução exigem uma resposta que transcenda as fronteiras geográficas e organizacionais. A luta contra o cibercrime é, por definição, uma empreitada global que exige uma coordenação e uma adaptabilidade à altura da ameaça. Michael Jabbara enfatiza a visão estratégica da Visa, explicando que "a prática de Interrupção de Golpes da Visa usa inteligência de toda a nossa rede global para conectar sinais entre mercados, detectar ameaças em evolução mais cedo usando recursos habilitados para IA e ajudar a impedir golpes com parceiros-chave do ecossistema antes que prejudiquem os consumidores".
Os US$ 2,6 bilhões em atividades de golpe identificadas e interceptadas pela Visa, um número que ressalta tanto a magnitude do desafio quanto o valor inestimável da tecnologia na interrupção de fraudes na sua origem, pavimentam o caminho para uma economia digital mais segura e confiável para todos os seus participantes. A lógica de barrar fraudes em tempo real, antes que os pagamentos sejam concluídos e os danos se concretizem, ganhou tração e reconhecimento em todo o setor financeiro.
Instituições financeiras em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, estão seguindo o exemplo. Outros bancos estão também implementando agentes de inteligência artificial para combater golpes em tempo real, e há iniciativas onde instituições brasileiras alertam empresas sobre golpes enquanto eles ainda estão em andamento. Esse movimento conjunto é um testemunho da crescente conscientização sobre a necessidade de uma defesa proativa e tecnologicamente avançada.
Contudo, à medida que a detecção na origem amadurece e se torna mais eficaz, um novo ponto de atenção emerge: a responsabilidade se desloca para os adquirentes e bancos que operam na ponta do fluxo de pagamentos. Quando uma bandeira como a Visa identifica e mapeia anéis de comerciantes fraudulentos, são os credenciadores que precisam agir decisivamente para encerrar contratos, orquestrar a devolução de valores e revisar rigorosamente seus próprios processos de cadastro e monitoramento. Esse "custo de compliance" de limpeza do ecossistema pode recair de forma mais acentuada sobre adquirentes de médio porte, que podem enfrentar maiores desafios para se adequar às exigências de segurança e controle.
Portanto, o investimento contínuo em IA, em tecnologias de segurança de ponta e, crucialmente, a colaboração incessante entre todos os atores do ecossistema de pagamentos – desde as bandeiras e emissores até os comerciantes, adquirentes e formuladores de políticas – são elementos indispensáveis para construir uma defesa robusta e resiliente contra a evolução constante das táticas criminosas. Somente através de um esforço conjunto e da utilização inteligente da tecnologia, com a IA à frente, será possível mitigar os riscos emergentes e proteger a confiança que sustenta o sistema financeiro digital global.
Para aprofundar seu conhecimento sobre as ferramentas e estratégias que impulsionam a inovação e a segurança no mundo da IA, explore nosso Glossário de IA e descubra as últimas tendências e conceitos tecnológicos que estão moldando o futuro.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal objetivo da equipe Visa Scam Disruption (VSD)?
O principal objetivo da equipe VSD é identificar e desmantelar redes de fraude digital globais, utilizando Inteligência Artificial e análise de dados para proteger os consumidores e o ecossistema de pagamentos antes que os golpes se concretizem.
Como a IA da Visa consegue identificar golpes tão sofisticados?
A IA da Visa analisa vastos volumes de dados anonimizados da rede global, utilizando ferramentas de Gen AI para identificar padrões sutis e conexões entre atividades fraudulentas, mesmo quando as transações parecem legítimas devido à engenharia social.
Qual o impacto da engenharia social no cenário atual de fraudes?
A engenharia social se tornou a principal tática dos golpistas, superando as violações técnicas de sistemas. Com a ajuda da IA, criminosos manipulam as vítimas para que autorizem pagamentos, tornando-a a fonte de dano ao consumidor que mais cresce e exige uma vigilância constante.