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Abra o Claude nos próximos dias e, em vez de uma resposta a uma pergunta sua, pode aparecer um convite: uma entrevista de 15 minutos, conduzida pela própria IA, sobre o que você espera da inteligência artificial. Não é um teste A/B qualquer. É a segunda rodada de um experimento que a Anthropic vem chamando de "a maior pesquisa qualitativa sobre IA já feita" — e desta vez, quem responder pode escolher deixar a conversa pública.
Resposta Rápida (TL;DR): A Anthropic lançou o Anthropic Interviewer, uma ferramenta em que o próprio Claude conduz entrevistas conversacionais de cerca de 15 minutos. Entre 29 de setembro e 6 de outubro de 2026, usuários dos planos Free, Pro e Max do Claude e do Claude Code — com conta de pelo menos duas semanas — podem participar do estudo "What Do You Want from AI?" e, pela primeira vez, optar por publicar a entrevista completa.
A ferramenta em si não é nova: a Anthropic a apresentou em dezembro de 2025, batizada de Anthropic Interviewer, como um sistema que roda entrevistas qualitativas em escala e devolve os resultados a pesquisadores humanos para análise. O primeiro teste reuniu 1.250 profissionais — mil da força de trabalho em geral, 125 cientistas e 125 criativos — e já revelou uma discrepância que chamou atenção internamente: 65% dos entrevistados descreveram o papel da IA no próprio trabalho como "aumento" (ajuda para fazer melhor) contra 35% que falaram em "automação" (a IA fazendo a tarefa por eles). Só que os dados reais de uso do Claude mostravam outra proporção, quase empatada: 47% de tarefas de aumento e 49% de automação, segundo a própria Anthropic. Ou seja: as pessoas relatam usar a IA como parceira com mais frequência do que realmente usam.
Um mês depois veio a escala. Em uma semana de dezembro de 2025, a Anthropic entrevistou 80.508 usuários do Claude em 159 países e 70 idiomas — o levantamento que a empresa apresentou como o maior estudo qualitativo sobre IA da história e que chegou a ser discutido no Fórum Econômico Mundial, segundo o Tecnoblog. O resultado: 81% dos participantes disseram que a IA trouxe algum benefício concreto à vida deles, com ganho de produtividade citado por 32% e "parceria cognitiva" — ter alguém (ou algo) para pensar junto — por 17%. Entre as aspirações mais citadas para o futuro da IA estavam "excelência profissional" (18,8%), "transformação pessoal" (13,7%) e "gestão do tempo" (13,5%). Do lado das preocupações, "falta de confiabilidade" liderou com 26,7%, seguida por medo pelo emprego e pela economia (22,3%) e perda de autonomia (21,9%), de acordo com a página oficial "What 81,000 people want from AI".
O que muda na nova rodada
Agora a Anthropic está de volta com uma segunda edição, chamada "What Do You Want from AI?", que roda de 29 de setembro a 6 de outubro de 2026. A mecânica é a mesma: o Claude assume o papel de entrevistador, ajusta as perguntas de acompanhamento em tempo real de acordo com o que a pessoa responde, e conduz a conversa no idioma do participante — inclusive em português. Cada sessão dura cerca de 15 minutos e gira em torno de três eixos, segundo a própria empresa: experiências marcantes (boas ou más) com IA, mudanças que a pessoa gostaria de ver em sistemas como trabalho, saúde e governo, e o que ela espera das empresas que constroem essas ferramentas.
A novidade real está na regra de participação e na opção de publicação. Só pode entrar quem usa Claude ou Claude Code nos planos Free, Pro ou Max e tem conta com pelo menos duas semanas — um filtro que, na prática, afasta contas recém-criadas só para responder à pesquisa. E, diferente da rodada de dezembro, em que só resultados agregados e algumas citações soltas foram divulgados, agora cada participante pode consentir em publicar a entrevista completa, com o país de origem mas sem dados da conta do Claude, sem edição prévia do conteúdo. É a primeira vez que a Anthropic abre esse nível de transparência nesse tipo de estudo, segundo a página oficial da Anthropic.
Por que isso importa além da curiosidade acadêmica? Porque os resultados alimentam diretamente o trabalho de Societal Impacts, a área da Anthropic dedicada a medir o efeito social do Claude, e ajudam a moldar decisões de produto — a mesma linha de pesquisa que já detectou, por exemplo, que profissões de "alto risco" como direito, finanças, governo e saúde relatam se apoiar na IA para decisões importantes quase no dobro da taxa média, e também são as que mais relatam ter sido "queimadas" por uma resposta pouco confiável. Praticamente metade dos advogados entrevistados na rodada anterior disse já ter enfrentado esse problema de confiabilidade na prática — mas são também os que relatam os maiores ganhos reais de decisão, segundo dados apresentados pela própria empresa no lançamento do estudo atual.
Como funciona por dentro
A ferramenta opera em três etapas, conforme descrito pela Anthropic. Na fase de planejamento, pesquisadores humanos definem as perguntas centrais do estudo e o Claude rascunha um roteiro de entrevista com base em boas práticas de pesquisa qualitativa, que a equipe revisa e ajusta. Na fase de entrevista — a parte visível para quem participa —, o modelo conduz a conversa de forma adaptativa, aprofundando pontos que o entrevistado trouxe espontaneamente em vez de seguir um roteiro rígido. Por fim, na análise, o sistema ajuda a sintetizar respostas, identificar temas recorrentes e selecionar citações relevantes, sempre com validação humana antes da publicação de qualquer conclusão.
Vale lembrar que essa não é a única iniciativa da Anthropic para medir como o Claude é usado no dia a dia — a empresa também mantém o Índice Econômico Anthropic, que analisa padrões de uso agregados sem depender de entrevistas voluntárias. A diferença é que o Interviewer capta o que os números de uso não mostram: a percepção subjetiva de quem está do outro lado da tela, os medos que a pessoa não digitaria numa pesquisa de múltipla escolha, e a linguagem espontânea com que alguém descreve o que quer da tecnologia.
Para quem usa outras ferramentas de IA no dia a dia e quer entender como o Claude se posiciona frente a elas em recursos e preço, o Comparador de IAs do Turbina IA reúne os principais modelos lado a lado; e quem já usa IA para escrever ou revisar textos pode aproveitar a Calculadora de Custos para estimar gasto por token antes de rodar tarefas maiores.
O que dizem os dados sobre uso real no Brasil
A pesquisa global não fecha o quadro completo para o público brasileiro, mas o interesse local por esse tipo de levantamento é crescente. Reportagens brasileiras que cobriram a rodada de dezembro, como a do Tecnoblog, destacaram justamente o dado de que a maioria dos usuários relata ganho real e não apenas hipotético — o que ajuda a explicar por que a Anthropic decidiu repetir e expandir o experimento em vez de tratá-lo como uma pesquisa pontual. Também chama atenção o recorte regional do estudo original: países de renda média e baixa reportaram otimismo mais alto com IA do que regiões mais ricas, com África Subsaariana, Ásia Central e Sul da Ásia entre as regiões com maior proporção de respondentes que disseram não ter nenhuma preocupação com a tecnologia — 18%, 17% e 17%, respectivamente, segundo a Anthropic.
Esse tipo de achado é parte do que os pesquisadores chamam de tensões de "luz e sombra": a mesma tecnologia que economiza tempo também pode gerar produtividade ilusória; a mesma ferramenta que ensina pode atrofiar o raciocínio de quem depende demais dela; o mesmo modelo que abre oportunidade econômica também ameaça postos de trabalho. Não são conclusões fechadas — são tensões que o próprio estudo da Anthropic reconhece não ter resolvido, e que a nova rodada de entrevistas deve aprofundar.
Como participar, na prática
Quem tem conta no Claude.ai ou no Claude Code há mais de duas semanas, em qualquer um dos planos Free, Pro ou Max, pode receber o convite para a entrevista até 6 de outubro. A Anthropic não detalhou publicamente se o convite aparece para todos os usuários elegíveis ou para uma amostra, então a orientação mais segura é conferir o próprio aplicativo ou site do Claude durante a janela do estudo. Antes de começar, cada participante recebe um termo de consentimento explicando como as respostas serão usadas — e só então decide se topa deixar a conversa pública ao final. Quem gosta de acompanhar terminologia nova do setor de IA pode consultar o Glossário de IA do Turbina IA para entender termos como "índice econômico" ou "pesquisa qualitativa em escala" que aparecem com frequência nesse tipo de estudo.
Perguntas Frequentes
O que é o Anthropic Interviewer?
É uma ferramenta de pesquisa construída sobre o Claude que conduz entrevistas conversacionais em tempo real, ajustando as perguntas de acompanhamento conforme a resposta de cada participante, e depois ajuda pesquisadores humanos a analisar os resultados em busca de temas recorrentes.
Quem pode participar do estudo What Do You Want from AI?
Usuários do Claude e do Claude Code nos planos Free, Pro ou Max, com conta de pelo menos duas semanas, entre 29 de setembro e 6 de outubro de 2026. Cada entrevista dura cerca de 15 minutos e é conduzida no idioma do participante.
Minha entrevista fica pública automaticamente?
Não. A publicação é opcional: só quem consentir explicitamente terá a conversa completa divulgada, com o país de origem informado mas sem dados da conta do Claude, e sem edição do conteúdo original.