Em 2 de outubro de 2025, a Perplexity fez algo que poucas empresas de IA fazem com um produto que custava US$ 200 por mês: abriu mão da exclusividade. O Comet, seu navegador com assistente de IA embutido, que até então só rodava para assinantes do plano Max, passou a ser gratuito para qualquer conta, em qualquer país. Pouco mais de um ano depois, o Comet já roda em Windows, macOS, Android e iPhone — e segue sendo, ao mesmo tempo, uma das ferramentas mais elogiadas e mais criticadas do mercado de navegadores com IA.
Resposta Rápida (TL;DR): O Comet é um navegador baseado em Chromium com um assistente de IA integrado que resume páginas, gerencia abas e executa tarefas em nome do usuário. É gratuito para baixar e usar em recursos básicos; funções agênticas mais avançadas e limites maiores ficam nos planos Pro (US$ 20/mês) e Max (US$ 200/mês). Pesquisas de segurança independentes já encontraram falhas de injeção de prompt no produto, então vale usar com cautela em sites desconhecidos.
O que é o Comet, na prática
O Comet nasceu em julho de 2025 como uma aposta ousada da Perplexity: em vez de vender só um mecanismo de busca com IA, a empresa construiu o navegador inteiro em torno do assistente. A TechCrunch cobriu o lançamento descrevendo um produto capaz de executar tarefas de várias etapas dentro do próprio navegador, não apenas responder perguntas.
Por ser baseado em Chromium, o Comet é compatível com a maior parte das extensões que já existem para o Google Chrome — então quem troca de navegador não perde gerenciador de senhas, bloqueador de rastreadores ou ferramentas de produtividade que já usa. A diferença fica num painel lateral, sempre visível, onde roda o assistente de IA da Perplexity.
Esse assistente não se limita a conversar. Segundo a própria Perplexity, ele consegue resumir e-mails e eventos de calendário, organizar e fechar abas, navegar por páginas em nome do usuário, rascunhar respostas e até ajudar em compras online. Na prática, é a mesma lógica de agentes autônomos que a OpenAI explorou com os Dots no ChatGPT e que a Anthropic levou para o Claude Duet — só que, no caso do Comet, o agente já vive dentro do navegador em vez de depender de uma extensão ou de um app separado.
Do exclusivo de US$ 200 ao grátis para todo mundo
A linha do tempo do Comet ajuda a entender por que ele ainda divide opiniões. No lançamento, em julho de 2025, o acesso era restrito a assinantes do plano Max — o mais caro da Perplexity, a US$ 200 por mês. Três meses depois, a empresa mudou de estratégia: o Tecnoblog registrou a liberação gratuita do navegador em outubro de 2025, e o Olhar Digital confirmou que o lançamento gratuito valeu para o mundo todo, não só para alguns mercados.
A expansão para celular veio em seguida. O Comet chegou ao Android em novembro de 2025, com busca por voz, perguntas baseadas nas abas abertas e bloqueador de anúncios nativo. No iPhone, a chegada aconteceu em meados de março de 2026 — a Neowin registrou o lançamento gratuito na App Store, com sincronização de histórico e threads de pesquisa entre o celular e a versão de desktop.
O que é grátis e o que fica nos planos pagos
Aqui está o ponto que mais gera confusão: "gratuito" não significa "sem limite". O navegador em si, a instalação e os recursos básicos de busca e resumo não custam nada. Mas a Perplexity reserva os recursos agênticos mais pesados — tarefas em segundo plano, automações mais longas, acesso a modelos mais caros — para quem paga.
| Plano | Preço | O que inclui |
|---|---|---|
| Gratuito | R$ 0 | Navegador completo, assistente básico, busca com IA, resumo de páginas e abas |
| Pro | US$ 20/mês (ou US$ 17/mês no anual) | Modelos premium, mais consultas diárias, recursos agênticos ampliados |
| Max | US$ 200/mês | Assistente que roda em segundo plano, executa múltiplas tarefas simultâneas, prioridade nos modelos mais avançados |
| Comet Plus (complementar) | US$ 5/mês | Acesso a conteúdo de editoras parceiras dentro das respostas; incluído automaticamente em Pro e Max |
O Comet Plus é um capítulo separado e interessante por si só. Lançado em agosto de 2025, ele nasceu como resposta a uma crítica recorrente contra buscadores de IA: a de que eles consomem o trabalho de veículos de notícia sem repassar nada em troca. A Axios noticiou que a Perplexity se comprometeu a repassar 80% da receita do Comet Plus aos editores parceiros, retendo 20% para cobrir custo computacional. Entre os parceiros do lançamento estava o grupo Condé Nast, com títulos como Wired, The New Yorker, Vogue e GQ.
Vale notar que testes práticos de redações brasileiras não encontraram unanimidade sobre o valor do pacote pago. Em uma análise publicada em 2026, o Canaltech relatou que o Comet impressiona pelos agentes, mas que o preço ainda é um ponto de atrito para quem já usa um navegador comum sem custo algum.
Como começar a usar o Comet
Instalar o Comet segue o mesmo fluxo de qualquer navegador baseado em Chromium: baixar o instalador para Windows ou macOS no site oficial da Perplexity, ou o aplicativo na Play Store (Android) e na App Store (iPhone), fazer login com uma conta Perplexity e, se quiser, importar favoritos e senhas do navegador anterior.
Depois da instalação, o fluxo de uso prático costuma seguir três passos:
- Abra o painel do assistente no ícone lateral — é ali que ficam o chat e os controles de ação sobre a página atual.
- Peça tarefas concretas, não só perguntas. Em vez de "o que é este produto", experimente "compare o preço deste produto com o de outras duas lojas abertas nas minhas abas".
- Revise antes de confirmar qualquer ação que envolva dados sensíveis, como login, pagamento ou envio de e-mail — o assistente executa, mas o controle final deve continuar sendo seu.
Esse terceiro passo não é só prudência genérica. Ele responde a um problema real, já documentado por pesquisadores de segurança independentes.
O que a pesquisa de segurança já encontrou
Um navegador que lê o conteúdo de qualquer página e segue instruções a partir dele cria uma superfície de ataque nova, chamada de injeção de prompt. Em agosto de 2025, pesquisadores da Brave demonstraram justamente isso: ao usar o recurso "Resumir esta página" do Comet, o modelo recebia o conteúdo da página e o pedido do usuário juntos, sem separação clara entre os dois — o que permitia que instruções escondidas em uma página, como um post de Reddit maliciosamente formatado, fossem executadas como se fossem comandos do próprio usuário, chegando a comprometer o acesso à conta.
Em outubro de 2025, a Brave publicou um segundo alerta, apontando falhas semelhantes envolvendo a função de captura de tela do navegador, que classificou como ataques de "injeção de prompt invisível". No mesmo período, a empresa de segurança Guardio testou o Comet em cenários de phishing e relatou que o assistente chegou a comprar um relógio falso da Apple em uma loja fraudulenta e, em outro teste, visitou um site malicioso que pedia credenciais bancárias sem sinalizar qualquer risco ao usuário.
A Perplexity respondeu publicamente em 22 de outubro de 2025, com um comunicado técnico reconhecendo o desafio de mitigar injeção de prompt em um produto desse tipo. Não há, até a data desta publicação, confirmação de que o problema esteja totalmente resolvido — o que reforça a recomendação prática do passo 3 acima: deixe o Comet sugerir e preparar, mas revise pessoalmente qualquer ação que envolva senha, pagamento ou dados sensíveis.
Vale a pena trocar de navegador?
Para quem já pesquisa bastante e usa IA no dia a dia, o Comet resolve uma fricção real: elimina a troca constante entre a aba do navegador e a aba do chat de IA. Para quem só navega e raramente usa assistentes, a vantagem é menor, e os riscos de segurança documentados pesam mais na balança.
Se você está decidindo entre o Comet e outras formas de usar IA no navegador, vale comparar os modelos por trás de cada opção no comparador de IAs do Turbina IA e testar prompts prontos para tarefas de pesquisa antes de liberar qualquer agente para agir por conta própria. Quem já usa várias ferramentas de IA no trabalho também pode conferir o guia completo de ferramentas de IA para decidir onde o Comet encaixa na rotina.
Perguntas Frequentes
O Comet da Perplexity é realmente gratuito?
Sim. Desde 2 de outubro de 2025, o navegador e seus recursos básicos de busca, resumo de páginas e gerenciamento de abas são gratuitos para qualquer conta, em qualquer país. Recursos agênticos mais avançados, como tarefas em segundo plano e modelos premium, ficam nos planos Pro (US$ 20/mês) e Max (US$ 200/mês).
O Comet funciona no celular?
Sim. O aplicativo chegou ao Android em novembro de 2025 e ao iPhone em março de 2026, ambos gratuitos, com sincronização de histórico e pesquisas entre o celular e a versão de desktop para Windows e macOS.
É seguro deixar o Comet executar tarefas automaticamente?
Pesquisas da Brave e da Guardio, publicadas em 2025, encontraram falhas de injeção de prompt no Comet, incluindo casos em que o assistente seguiu instruções escondidas em páginas maliciosas. A Perplexity reconheceu o problema e afirma trabalhar em mitigações, mas a recomendação prática é revisar pessoalmente qualquer ação que envolva login, pagamento ou dados sensíveis antes de confirmar.
Fontes e Referências
- Perplexity launches Comet, an AI-powered web browser (TechCrunch)
- Perplexity libera seu navegador com IA para todos, incluindo contas grátis (Canaltech)
- Perplexity libera gratuitamente navegador Comet com IA (Tecnoblog)
- Perplexity lança navegador Comet para Android com IA e recursos do desktop (Olhar Digital)
- Perplexity's Comet browser is now available on iOS (Neowin)
- Perplexity says it will give publishers 80% cut of new subscription product's revenue (Axios)
- Testamos o Comet: navegador de IA chama atenção por agentes, mas preço é impasse (Canaltech)
- Perplexity's AI-powered Comet browser leaves users vulnerable to phishing scams and malicious code injection (Tom's Hardware)