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IA para o ENEM 2026: o Que Fazer com os Dados que Mostram 7 em Cada 10 Alunos Já Usando IA para Estudar

TIC Educação 2024 revela que 70% dos alunos do Ensino Médio usam IA generativa para estudar. Veja como aplicar isso na preparação para o ENEM 2026.

Por Redação Turbina IA7 de agosto de 202610 min de leitura
IA para o ENEM 2026: o Que Fazer com os Dados que Mostram 7 em Cada 10 Alunos Já Usando IA para Estudar

Sete em cada dez estudantes brasileiros do Ensino Médio que usam internet já recorrem a ferramentas de inteligência artificial generativa — ChatGPT, Copilot, Gemini — para fazer pesquisas escolares. O número é da 15ª edição da pesquisa TIC Educação, divulgada em setembro de 2025 pelo Cetic.br, com base em entrevistas com mais de 7,4 mil alunos de escolas públicas e privadas de todo o país, segundo apurou o Estadão Conteúdo em reportagem publicada no InfoMoney.

Com o ENEM 2026 se aproximando, esse dado deixa de ser curiosidade estatística e vira pergunta prática: se a maioria dos adolescentes já estuda com IA no dia a dia escolar, o que muda quando o objetivo é passar num vestibular concorrido? A resposta que a própria pesquisa sugere é desconfortável — o uso é generalizado, mas a orientação sobre como usar bem essas ferramentas quase não existe.

Resposta Rápida (TL;DR): A pesquisa TIC Educação 2024 mostra que 70% dos alunos do Ensino Médio usam IA generativa para pesquisas escolares, mas só 32% receberam qualquer orientação da escola sobre isso e apenas 19% foram instruídos especificamente sobre como aplicar a tecnologia no aprendizado. Para o ENEM 2026, isso significa que a maioria dos candidatos está usando IA sem método — o que ajuda a explicar por que especialistas alertam para o risco de a ferramenta substituir o esforço de estudo em vez de reforçá-lo.

O que a pesquisa TIC Educação 2024 realmente mostra

Os números, divulgados pelo Cetic.br em parceria com o NIC.br e o Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostram uma escalada clara por faixa escolar. Entre os alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), 15% já usam chats de IA para pesquisas escolares. Nos anos finais (6º ao 9º ano), a proporção sobe para 39%. No Ensino Médio, chega a 70%. Somando todos os níveis, a média fica em 37% — confirmado tanto pelo Cetic.br quanto pelo InfoMoney na cobertura do mesmo estudo.

O detalhe que mais chama atenção não é a adoção — é o vácuo em volta dela. Apenas 32% dos estudantes dizem ter recebido qualquer orientação na escola sobre como usar essas ferramentas, e o número cai para 19% quando a pergunta é especificamente sobre como aplicar a IA em atividades de aprendizagem. "A edição 2024 da pesquisa revela um cenário de transformações aceleradas [...] mas essa adoção ainda carece de mediação pedagógica estruturada para o uso crítico", resume Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br|NIC.br.

A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, vai além ao apontar o risco embutido nessa lacuna: segundo ela, respostas de IA "podem conter vieses de toda a ordem que, sem uma mediação adequada, podem interferir substancialmente no processo de formação de toda uma geração" — especialmente porque a tecnologia ainda não conta com regulação específica para uso escolar, como registrou o CGI.br.

Imagem ilustrativa sobre IA para o ENEM 2026: o Que Fazer com os Dados que Mostram 7 em Cada 10 Alunos Já Usando IA para Estudar

Vídeo virou tão relevante quanto o Google para pesquisa escolar

Pela primeira vez, a TIC Educação perguntou diretamente quais recursos os alunos usam para pesquisar. O resultado surpreendeu os próprios pesquisadores: 74% recorrem a sites de busca tradicionais, mas 72% já citam canais e aplicativos de vídeo — TikTok e YouTube à frente — como fonte de informação escolar, segundo o Cetic.br. Entre os alunos do Ensino Médio isoladamente, a proporção que assiste a vídeos para pesquisa escolar chega a quase 9 em cada 10 — praticamente empatada com quem usa buscadores, conforme detalhou o InfoMoney.

Isso se soma a um padrão de uso mais amplo da internet para estudo: 86% dos alunos buscam informação sobre uma matéria que não entenderam bem, 84% pesquisam para trabalhos escolares e 78% usam a internet ou aplicativos para praticar algo que estão aprendendo, de acordo com o mesmo levantamento do Cetic.br. Na prática, o que esses números descrevem é um estudante que já reorganizou sozinho seu fluxo de estudo em torno de IA e vídeo curto, sem que a escola tenha, na maioria dos casos, entrado nessa conversa.

Da pesquisa escolar ao ENEM: como aplicar isso na prática

A TIC Educação não pergunta especificamente sobre preparação para o ENEM, mas o padrão de uso que ela descreve — pedir explicação de conteúdo, pesquisar para trabalhos, praticar exercícios — é exatamente o que um candidato faz ao se preparar para a prova. A diferença é que o ENEM cobra domínio verificável do conteúdo em uma prova cronometrada, o que exige um uso mais disciplinado da ferramenta do que "perguntar e copiar a resposta".

Na prática, três usos de IA generativa tendem a funcionar melhor para quem estuda para o ENEM:

  • Explicação sob demanda: pedir para a IA reexplicar um conceito de outra forma quando o material didático não fez sentido — o uso mais citado na própria pesquisa (86% dos alunos recorrem a isso para dúvidas de matéria).
  • Geração de questões de prática: usar prompts específicos para simular questões no estilo ENEM em vez de pedir "resuma a matéria X". Ferramentas como o Gerador de Prompts e a biblioteca de Prompts do Turbina IA ajudam a estruturar esse tipo de pedido de forma que a resposta saia realmente útil, e não genérica.
  • Feedback de redação: pedir análise crítica de um texto próprio segundo os critérios do ENEM, e não que a IA escreva a redação — o valor pedagógico está em identificar falhas de argumentação, não em terceirizar a escrita.

Antes de escolher qual ferramenta usar, vale comparar diretamente as opções disponíveis no Comparador de IAs, já que modelos diferentes variam em qualidade de explicação, capacidade de seguir instruções longas e comportamento com conteúdo em português — um fator que pesa bastante em matérias como Redação e Ciências Humanas.

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Os riscos que a pesquisa — e outros estudos — apontam

O ponto de atenção mais forte não é o uso da IA em si, mas o uso sem mediação. Em análise ao Radar CNN, plataforma que incorporou os dados da TIC Educação, o professor da Unifesp Álvaro Machado Dias cita um estudo publicado na revista Social Sciences & Humanities Open segundo o qual universitários que usaram ChatGPT durante uma atividade acadêmica retiveram menos conhecimento semanas depois do que colegas que estudaram por métodos tradicionais. "Sou entusiasta da IA na educação, com uma condição: ela precisa aumentar o esforço do aluno, não substituí-lo", afirma Machado Dias à CNN Brasil, completando que "o uso da IA se tornou massivo antes da consolidação de um método para evitar que canibalize o aprendizado".

Do lado da formação docente, o retrato também é misto. A TIC Educação 2024 mostra que 54% dos professores participaram de atividades de desenvolvimento profissional voltadas a tecnologias digitais nos 12 meses anteriores à pesquisa — mas na rede municipal esse percentual caiu de 62% em 2021 para 43% em 2024, segundo dados do Cetic.br. Ou seja: enquanto o uso de IA pelos alunos cresce, a capacitação dos professores para orientar esse uso está andando na direção contrária em parte da rede pública.

Para a professora Dora Kaufman, da PUC-SP, o problema é estrutural: "a IA afeta diretamente dois objetivos centrais da educação: desenvolver o pensamento crítico e a criatividade dos alunos", avaliou em entrevista ao InfoMoney. Na visão dela, o ministério e as secretarias de Educação precisam de diretrizes claras de governança sobre o melhor uso da ferramenta — algo que, hoje, simplesmente não existe de forma padronizada nas redes de ensino.

Erros comuns ao usar IA para estudar para o ENEM

O erro mais citado pelos pesquisadores não é técnico, é de hábito: tratar a primeira resposta da IA como definitiva. Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação, destacou em entrevista à TI Inside que é fundamental os alunos "saberem usar esses recursos para construir seu próprio conhecimento e expandir suas estratégias de aprendizagem", em vez de receber uma resposta pronta "e considerá-la como a única possível, a mais apropriada ou a verdadeira".

Isso se conecta a outro dado da pesquisa: embora 51% dos alunos digam ter sido informados sobre quais sites usar em pesquisas e 47% afirmem ter aprendido a verificar se uma notícia é verdadeira, apenas 19% receberam orientação específica sobre uso de IA, segundo o InfoMoney. Na prática, os alunos aprenderam a desconfiar de sites suspeitos, mas não desenvolveram o mesmo reflexo crítico diante de um chatbot que responde com confiança mesmo quando erra — um comportamento conhecido tecnicamente como alucinação, termo que vale a pena entender melhor no Glossário de IA do Turbina IA antes de confiar cegamente em qualquer resposta gerada.

Outro erro recorrente é usar a IA só como atalho para a tarefa, e não como ferramenta de estudo — pedir a redação pronta em vez de pedir feedback sobre a própria redação, por exemplo. É a diferença entre praticar a habilidade que o ENEM cobra e simplesmente produzir um artefato que passa por ela.

Para quem faz sentido usar IA na preparação

A pesquisa reforça um padrão conhecido: o uso de IA cresce com a idade e com a familiaridade prévia do estudante com tecnologia digital, como observa o próprio Cetic.br. Isso sugere que a ferramenta funciona melhor como complemento para quem já tem alguma base de estudo organizada — cronograma, material de referência, simulados — e usa a IA para tirar dúvidas pontuais ou testar o próprio conhecimento, não para quem está tentando substituir o estudo estruturado por conversas soltas com um chatbot.

Para o candidato do ENEM 2026 que já estuda de forma organizada, a IA generativa tende a ser um multiplicador real de tempo. Para quem ainda não criou esse hábito, o risco é reproduzir exatamente o cenário que os pesquisadores descrevem: uso massivo, sem método, e sem ninguém para dizer onde a ferramenta ajuda e onde ela substitui — mal — o esforço que deveria ser do próprio estudante.

Perguntas Frequentes

Quantos estudantes brasileiros usam IA para estudar, segundo a pesquisa TIC Educação 2024?

Entre os alunos do Ensino Médio usuários de internet, 70% usam ferramentas de IA generativa como ChatGPT, Copilot e Gemini para pesquisas escolares. Nos anos finais do Ensino Fundamental o índice é de 39%, e nos anos iniciais, de 15%, segundo dados divulgados pelo Cetic.br em setembro de 2025.

É seguro usar ChatGPT ou Gemini para estudar para o ENEM?

Pode ser útil, mas exige verificação ativa por parte do estudante. A própria pesquisa TIC Educação mostra que apenas 19% dos alunos foram orientados sobre como usar IA de forma correta na escola, e especialistas como Álvaro Machado Dias alertam que o uso sem supervisão pode reduzir a retenção de conhecimento em vez de reforçá-la.

Qual o maior risco de usar IA para estudar sem orientação?

Segundo a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, o principal risco é a exposição a informações erradas ou enviesadas sem uma mediação crítica adequada, o que pode interferir no processo de aprendizagem, conforme detalhado pelo CGI.br. Tratar a resposta da IA como verdade única, sem checar outras fontes, é o erro mais citado pelos pesquisadores.

Fontes e Referências

Editor responsávelRafael Menezes

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