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OpenAI Confirma Negociação com Anthropic e Google por um Órgão Conjunto de Segurança em IA — e Diz Não Precisar de Isenção Antitruste

Chris Lehane confirmou que OpenAI, Anthropic e Google DeepMind negociam há semanas um órgão de segurança inspirado na FINRA, gerando reação da FTC.

Por Redação Turbina IA21 de setembro de 202610 min de leitura
OpenAI Confirma Negociação com Anthropic e Google por um Órgão Conjunto de Segurança em IA — e Diz Não Precisar de Isenção Antitruste

Na terça-feira, 15 de setembro, o chefe de políticas globais da OpenAI, Chris Lehane, confirmou a jornalistas em Washington algo que circulava como rumor havia semanas: a OpenAI está negociando, com dois de seus maiores concorrentes, a criação de um órgão conjunto de segurança para IA. Os outros dois nomes na mesa são Anthropic e Google DeepMind — empresas que competem diretamente por assinantes, desenvolvedores e contratos bilionários de nuvem.

Resposta Rápida (TL;DR): OpenAI, Anthropic e Google DeepMind confirmaram, em 15 de setembro, que negociam há semanas um órgão de segurança conjunto para IA, inspirado na FINRA (o autorregulador do mercado financeiro americano) e proposto originalmente por Demis Hassabis em julho. A OpenAI diz que a coordenação não exige isenção antitruste, mas a proposta já provocou reação do presidente da FTC, Andrew Ferguson, que a chamou publicamente de possível "cavar fosso" contra concorrentes menores.

O que Lehane confirmou, e o que ainda não foi confirmado

Segundo reportagem da Bloomberg, Lehane afirmou que a OpenAI trabalha com a Anthropic e a Alphabet (controladora do Google DeepMind) em segurança de IA "há várias semanas" e que, na visão da empresa, as três companhias não precisam de uma isenção antitruste para discutir o tema entre si. A TechCrunch confirma o mesmo encontro, destacando que a declaração transformou o que até então era especulação de bastidor em admissão pública, direta da própria OpenAI.

Um detalhe importante para não exagerar o tamanho do acordo: até a publicação deste texto, nem a Anthropic nem o Google haviam confirmado publicamente aos repórteres, com as próprias palavras, os mesmos detalhes que Lehane deu. A OpenAI foi quem assumiu o microfone — as outras duas empresas permanecem, por ora, em silêncio oficial sobre o que exatamente foi discutido nas reuniões.

Imagem ilustrativa sobre OpenAI Confirma Negociação com Anthropic e Google por um Órgão Conjunto de Segurança em IA — e Diz Não Precisa

A origem: a proposta de Hassabis, inspirada na FINRA

A ideia não nasceu na terça-feira. Em 14 de julho, o CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, publicou um ensaio propondo um "órgão de padrões liderado pelos EUA" para IA de fronteira, segundo a CNBC. O modelo de referência é a FINRA (Financial Industry Regulatory Authority), a autorreguladora que hoje fiscaliza corretoras e bolsas nos Estados Unidos: uma parceria público-privada financiada pelo setor, mas com um conselho majoritariamente independente e poder de examinar membros e reportar violações à SEC.

A TechCrunch, que cobriu o ensaio no mesmo dia, descreve a proposta de Hassabis como um pedido de "ação urgente" diante de riscos que ele associa à chegada da inteligência artificial geral — algo que, segundo o próprio executivo, estaria a poucos anos de distância. Representantes de Anthropic, OpenAI e Google formaram, a partir daí, um grupo de trabalho informal que se reuniu ao longo do verão americano, segundo a reportagem da CNBC do dia da confirmação de Lehane.

Na prática, o desenho discutido prevê que os laboratórios compartilhariam modelos de fronteira com esse órgão de forma voluntária — com até 30 dias de antecedência do lançamento — para testes de capacidades perigosas em áreas como ataques cibernéticos, risco biológico e comportamento enganoso do sistema. Só depois que esse regime provasse ser "eficaz e robusto" é que a formalização, incluindo eventual obrigatoriedade regulatória, entraria em discussão.

Imagem ilustrativa sobre negociação de órgão conjunto de segurança em IA entre OpenAI, Anthropic e Google

Como funcionariam os testes, na prática

O desenho discutido por Hassabis não propõe um órgão que aprove ou reprove "a IA" de modo genérico — ele mira num tipo específico de checagem, hoje conhecida no setor como avaliação de capacidades perigosas. Antes de lançar um modelo novo, o laboratório o submeteria a uma bateria de testes desenhados para descobrir se aquele sistema consegue, por exemplo, ajudar alguém sem conhecimento técnico a planejar um ataque cibernético sofisticado, dar instruções úteis para produção de armas biológicas, ou enganar deliberadamente seus próprios avaliadores durante o teste. Se o leitor não está familiarizado com esses termos técnicos do vocabulário de segurança em IA, vale consultar o Glossário de IA do Turbina IA, que reúne definições diretas para expressões como essas.

O ponto central da proposta é que esse exame não seria feito pelo próprio laboratório que construiu o modelo, mas por um corpo técnico fora da empresa — com acesso a informações que hoje ficam só internamente, como pesos do modelo ainda não publicados e registros de treinamento. É esse acesso privilegiado, financiado pelas próprias empresas mas operado por fora delas, que aproxima a proposta do modelo da FINRA: o setor financia, mas não controla o resultado do teste.

Por que isso é diferente de "os CEOs concordam que a IA deve desacelerar"

Vale separar duas coisas que aconteceram na mesma semana e se confundem facilmente. Dias antes, Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um ensaio pedindo desaceleração deliberada do ritmo de capacidades entre laboratórios — texto que já recebeu apoio público de Sam Altman e Elon Musk, como o Turbina IA cobriu em detalhe. Aquele ensaio é uma posição pública, um manifesto.

O que Lehane confirmou em 15 de setembro é outra camada: não um manifesto, mas uma estrutura institucional concreta em negociação — quem audita quem, com que acesso e sob qual arcabouço legal. É a diferença entre dizer "precisamos ir mais devagar" e sentar à mesa para desenhar o órgão que, na prática, teria poder de dizer "esse modelo não pode ser lançado ainda". Para quem acompanha o Monitor de Modelos do Turbina IA, esse é o tipo de decisão que, se formalizada, passaria a determinar o próprio calendário de lançamentos dos próximos GPT, Claude e Gemini.

A reação da FTC: "isso parece cavar fosso"

A proposta não passou incólume pelos reguladores. Em um evento na Universidade de Georgetown, o presidente da Comissão Federal de Comércio (FTC), Andrew Ferguson, disse publicamente se sentir "profundamente desconfiado" de empresas que pedem, ao mesmo tempo, mais regulação e isenção antitruste — mesmo sem citar nominalmente a Anthropic ou a OpenAI, segundo reportagem sobre o evento. "Se as empresas estão simultaneamente vindo a Washington pedir uma série de regulações e uma isenção antitruste, todos os meus alarmes disparam", afirmou Ferguson, segundo a mesma reportagem. "Elas estão pedindo barreiras de entrada que vão isolar sua posição dominante de desafios — e, se você combinar isso com a isenção antitruste pedida, todo mundo deveria ficar profundamente desconfiado."

É um ponto que a própria OpenAI tenta neutralizar preventivamente: Lehane insistiu, tanto para a Bloomberg quanto para a TechCrunch, que a companhia não está pedindo — nem acha necessária — qualquer isenção antitruste para conversar sobre segurança com os rivais. Mas a crítica de Ferguson explica por que o tema é sensível: um órgão conjunto de segurança financiado pelos três maiores laboratórios do mundo também poderia funcionar, na prática, como uma barreira de entrada contra concorrentes menores que não têm caixa para bancar auditorias equivalentes.

O que a OpenAI já assumiu formalmente: o caso do FRONTIER Act

Enquanto o órgão conjunto ainda é negociação informal, a OpenAI já deu um passo concreto e público em outra frente regulatória. A companhia declarou apoio a uma parte específica do FRONTIER Act, projeto bipartidário dos deputados Jay Obernolte e Lori Trahan que criaria, pela primeira vez, um arcabouço federal de segurança para IA nos Estados Unidos — incluindo a exigência de que grandes laboratórios permitam a entrada de "organizações de verificação independente" (IVOs, na sigla em inglês) para checar como os modelos são desenvolvidos, segundo a CBS News.

É importante ser preciso aqui, porque o título fácil seria exagerar o gesto: a OpenAI apoiou a exigência de avaliadores externos (as IVOs), não o projeto de lei inteiro. Um porta-voz da empresa fez questão de esclarecer que a companhia não endossou o FRONTIER Act em sua totalidade — apenas essa provisão específica, conforme a mesma cobertura da CBS News detalha. Ainda assim, é a primeira vez que a OpenAI apoia publicamente um mandato federal específico obrigando auditoria externa dos maiores modelos do setor.

O que muda na prática — e o que ainda é promessa

Nada disso, até agora, é regulação em vigor. É negociação entre concorrentes, um ensaio publicado em rede social e o apoio a uma provisão dentro de um projeto de lei que ainda precisa passar pelo Congresso americano. Para o desenvolvedor ou empresa brasileira que usa GPT, Claude ou Gemini no dia a dia, o efeito direto ainda é zero.

O que muda é o pano de fundo: pela primeira vez, os três laboratórios mais citados quando alguém compara modelos de IA — vale a pena revisar as diferenças reais de capacidade e preço entre eles no Comparador de IAs do Turbina IA — estão, em paralelo à corrida por benchmarks e clientes, desenhando juntos a régua que poderia frear ou aprovar seus próprios lançamentos futuros. Se o desenho da FINRA de fato avançar da fase voluntária para a formal, o cronograma de novidades que hoje parece ditado só por corrida competitiva passaria a depender também de um comitê fora das quatro paredes de cada empresa.

Perguntas Frequentes

O que é o "órgão de padrões" que OpenAI, Anthropic e Google estão negociando?

É uma proposta de organização autorreguladora, inspirada na FINRA do mercado financeiro americano, que testaria modelos de IA de fronteira antes do lançamento — de forma voluntária no início — em busca de riscos como uso indevido em ciberataques, armas biológicas ou comportamento enganoso do sistema. A ideia foi proposta por Demis Hassabis, do Google DeepMind, em julho de 2026.

A OpenAI está pedindo isenção antitruste para coordenar com Anthropic e Google?

Não, segundo a própria empresa. Chris Lehane, chefe de políticas globais da OpenAI, declarou à imprensa que a companhia não vê necessidade de isenção antitruste para as três empresas conversarem sobre segurança. Ainda assim, o presidente da FTC, Andrew Ferguson, expressou desconfiança pública sobre pedidos combinados de regulação e isenção antitruste no setor de IA.

O que é o FRONTIER Act e a OpenAI apoia o projeto inteiro?

O FRONTIER Act é um projeto de lei bipartidário no Congresso dos EUA que criaria um arcabouço federal de segurança para IA, incluindo auditorias por "organizações de verificação independente" (IVOs). A OpenAI apoia especificamente essa exigência de avaliadores externos, mas um porta-voz da empresa confirmou que ela não endossou o projeto de lei em sua totalidade.

Fontes e Referências

Editor responsávelRafael Menezes

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