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OpenAI corta meta de captação em US$ 10 bilhões após tombo das ações de IA

A OpenAI reduziu em US$ 10 bilhões a meta de uma rodada de financiamento, segundo o Financial Times, depois que a venda generalizada de ações ligadas a IA

Por Redação Turbina IA•Atualizado em •10 min de leitura
OpenAI corta meta de captação em US$ 10 bilhões após tombo das ações de IA

Há um mês, a OpenAI buscava investidores dispostos a pagar US$ 1,4 trilhão pela empresa. Nesta sexta-feira (30), segundo o Financial Times, citado pela Bloomberg, a conta encolheu de novo: a meta da rodada em andamento caiu outros US$ 10 bilhões, para cerca de US$ 20 bilhões, com a avaliação da empresa travada em US$ 1,25 trilhão.

Resposta Rápida (TL;DR): Segundo o Financial Times, a OpenAI reduziu em US$ 10 bilhões a meta de uma rodada de financiamento que já vinha encolhendo, num momento de forte queda das ações ligadas a IA. A negociação, liderada por fundos dos Emirados Árabes Unidos e pela gestora Coatue, ainda não foi assinada e segue avaliando a empresa em US$ 1,25 trilhão — abaixo do US$ 1,4 trilhão pedido em setembro.

A notícia chega em meio a uma das semanas mais turbulentas do ano para papéis de inteligência artificial. Na quinta-feira (29), o Nasdaq 100 caiu 3,5% e chegou a tocar o território de correção técnica, enquanto o S&P 500 recuou 1,8% — pior sessão desde junho para o índice de tecnologia. No dia seguinte, ações associadas diretamente a gastos com IA voltaram a cair, com investidores questionando se o retorno sobre os bilhões investidos em data centers vai mesmo aparecer — é o que mostra outra reportagem da CNBC sobre a venda generalizada de ações de IA.

Como a rodada foi encolhendo mês a mês

A trajetória da negociação ajuda a entender por que o corte desta semana pegou menos gente de surpresa do que parece. No início de outubro, a Bloomberg já noticiava conversas da OpenAI com fundos dos Emirados Árabes Unidos e a gestora BlackRock para uma rodada de até US$ 30 bilhões — na época, com a empresa pedindo uma avaliação pré-investimento de US$ 1,4 trilhão.

Três semanas depois, o apetite dos investidores já tinha mudado o número. Em 22 de outubro, a CNBC relatou que a OpenAI estava perto de fechar uma rodada de até US$ 30 bilhões, mas com a avaliação já rebaixada para US$ 1,25 trilhão, liderada por fundos emiratis e pela Coatue. No mesmo dia, a própria Bloomberg confirmou o ajuste de preço, descrevendo negociações finais em que compradores resistiram ao valor pedido originalmente.

A tabela abaixo resume como a meta mudou nas últimas quatro semanas, segundo as reportagens já publicadas:

Data Tamanho da rodada Avaliação pedida Fonte
5 de outubro Até US$ 30 bi US$ 1,4 trilhão Bloomberg
22 de outubro Até US$ 30 bi US$ 1,25 trilhão CNBC / Bloomberg
31 de outubro Cerca de US$ 20 bi US$ 1,25 trilhão Financial Times (via Bloomberg)

Nenhuma dessas rodadas foi formalmente anunciada pela OpenAI até a publicação deste artigo — tudo o que se sabe vem de fontes não identificadas ouvidas pelos veículos citados, e os termos finais podem mudar até a assinatura.

Imagem ilustrativa sobre OpenAI corta meta de captação em US$ 10 bilhões após tombo das ações de IA

O pano de fundo: uma correção que já começou a doer

O corte não aconteceu no vácuo. Na semana de 15 de outubro, vinte das maiores empresas globais de IA e semicondutores já haviam perdido mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado combinado, com preocupações sobre o custo do crédito necessário para financiar a expansão de data centers — um tema que a CNBC acompanhou desde a liquidação no setor de tecnologia asiático.

O movimento também atingiu diretamente quem financia essa infraestrutura. A Nvidia, que ocupa simultaneamente o papel de fornecedora de chips e de investidora em boa parte do ecossistema de IA, teve o pior mês desde novembro do ano passado, enquanto ações de "neoclouds" como CoreWeave e Nebius caíram mais de 30% só em outubro — dados que aparecem na cobertura da CNBC sobre o papel da Nvidia como financiadora da expansão de IA. Executivos da Broadcom chegaram a dizer que o financiamento, não a escassez de chips ou de energia, pode se tornar o maior obstáculo à expansão do setor.

Esse é precisamente o ambiente em que a OpenAI tenta fechar uma rodada bilionária: com o crédito mais caro e investidores institucionais mais seletivos, cada trimestre de prejuízo pesa mais na régua de quem está do outro lado da mesa.

Anthropic sobe a régua — e complica ainda mais a disputa por capital

Parte da pressão sobre a OpenAI tem nome e sobrenome: Anthropic. A rival arquivou publicamente seu pedido de abertura de capital em 26 de outubro, revelando um prejuízo de US$ 80,7 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, ao lado de uma margem bruta implícita de 85% — números detalhados pela CNBC na cobertura em tempo real do S-1 da Anthropic. A expectativa é que a Anthropic liste ações na Nasdaq sob o ticker "ANT", com Goldman Sachs e Morgan Stanley como bancos coordenadores da oferta — embora a data exata do pregão de debute ainda dependa de janelas de mercado melhores que a atual.

A reação de analistas ao pedido de IPO está longe de ser unânime. Enquanto a casa de análise New Constructs classificou a oferta como "a IPO mais ridícula de 2026", o analista Gil Luria, da D.A. Davidson, argumentou que o papel "provavelmente vai muito bem" se for precificado corretamente — divergência registrada pela própria CNBC em reportagem sobre o apetite dos investidores pela oferta.

Na prática, OpenAI e Anthropic estão competindo pelo mesmo pool de capital institucional disposto a apostar em IA generativa — só que num momento em que esse pool encolheu e ficou mais exigente. Cada bilhão que um fundo soberano ou gestora compromete com uma das duas é um bilhão que não vai para a outra, e a corrida por fechar termos "antes que o mercado piore mais" ajuda a explicar por que a OpenAI aceitou rebaixar sua própria régua de preço duas vezes no mesmo mês. Quem acompanha de fora essa disputa — e quer entender como os modelos das duas empresas se comparam na prática, e não só em planilha de avaliação — pode consultar o Comparador de IAs do Turbina IA, que reúne lado a lado os principais modelos da OpenAI e da Anthropic.

Imagem ilustrativa sobre OpenAI corta meta de captação em US$ 10 bilhões após tombo das ações de IA

Para onde vai esse dinheiro, afinal

Rodadas desse tamanho não financiam folha de pagamento nem escritórios novos — elas financiam contratos de computação. A OpenAI já opera sob acordos multianuais de capacidade com Microsoft, Oracle, CoreWeave e Nvidia que somam centenas de bilhões de dólares em compromissos futuros, segundo o histórico de reportagens da própria CNBC sobre o setor. Cada rodada de captação funciona como um colchão de caixa para cumprir essas obrigações sem precisar recorrer a dívida mais cara — exatamente o tipo de dívida que ficou mais arriscada depois que o mercado de crédito corporativo ligado a data centers de IA passou a ser citado como ponto de atenção por analistas, incluindo executivos da própria Broadcom.

É por isso que o tamanho exato da rodada importa mais do que a avaliação em si. Uma avaliação de US$ 1,25 trilhão sem o caixa correspondente não paga conta de GPU nem de energia. Se a OpenAI realmente fechar em torno de US$ 20 bilhões — dois terços do que buscava um mês atrás — a empresa terá menos margem para acelerar contratos de infraestrutura no curto prazo, o que pode se refletir em cronogramas mais lentos para o treinamento dos próximos modelos ou em renegociações com fornecedores de nuvem. Para acompanhar se isso realmente atrasa lançamentos, o Monitor de Modelos do Turbina IA reúne o histórico de versões de OpenAI, Anthropic e Google em um só lugar.

O que isso significa na prática — e o que ainda não se sabe

Para o público leigo, uma avaliação de US$ 1,25 trilhão ou US$ 1,4 trilhão pode parecer um detalhe abstrato de bastidor financeiro. Mas o tamanho da rodada e o preço pago por ela definem quanto caixa a OpenAI terá disponível para sustentar a corrida por poder computacional — a mesma corrida que já consome a maior parte da receita da empresa em contratos de nuvem e data centers. Uma rodada menor, fechada com desconto, significa menos munição para os próximos trimestres, numa fase em que o apetite por crédito mais caro já preocupa até concorrentes diretos de chips, como mostrou a cobertura da Nvidia citada acima.

Vale repetir o que ainda é incerto: nem a OpenAI nem os fundos emiratis ou a Coatue confirmaram oficialmente os termos da rodada até a publicação deste texto. Os números de "US$ 20 bilhões" e "US$ 1,25 trilhão" vêm de fontes não identificadas ouvidas por Financial Times, Bloomberg e CNBC — órgãos de imprensa com histórico de acerto nesse tipo de apuração, mas que tratam o próprio assunto como "em negociação", não como fato consumado. Se você está comparando o custo de usar diferentes modelos de IA enquanto esse mercado se ajusta, a Calculadora de Custos de API do Turbina IA ajuda a estimar o gasto real por token antes de qualquer decisão de produto.

No mesmo assunto: OpenAI Cancela o GPT-6.1 Astra e Lança Opção Mais Barata, ChatGPT Cai Abaixo de 50% de Market Share pela Primeira e Estudo da Harvard Publicado na Science Confirma.

Perguntas Frequentes

Quanto a OpenAI está tentando levantar agora?

Segundo o Financial Times, citado pela Bloomberg, a meta atual da rodada em negociação é de cerca de US$ 20 bilhões, com a empresa avaliada em US$ 1,25 trilhão — valor reduzido em relação aos US$ 30 bilhões e US$ 1,4 trilhão pedidos em setembro.

Quem está liderando essa rodada de financiamento?

De acordo com reportagens da CNBC e da Bloomberg, a negociação é liderada por fundos dos Emirados Árabes Unidos e pela gestora de investimentos Coatue, com conversas anteriores envolvendo também a BlackRock. Nenhum desses nomes confirmou publicamente os termos finais.

Por que as ações ligadas a IA estão caindo em outubro de 2026?

A queda combina dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em data centers com a preocupação de que o crédito mais caro dificulte financiar essa expansão — fatores que atingiram a Nvidia, fornecedoras de nuvem especializada em IA e, agora, a própria capacidade da OpenAI de captar recursos nos termos que queria.

Fontes e Referências

Editor responsávelRafael Menezes

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