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Anthropic Dá Créditos do Claude a 20 Instituições de Ciência e Já Mostra Resultados Reais na Descoberta de Remédios

Anthropic expande o programa AI for Science para 20 parceiros e detalha, com números, como o Claude já ajuda a desenhar remédios e vacinas.

Por Redação Turbina IA•Atualizado em •10 min de leitura
Anthropic Dá Créditos do Claude a 20 Instituições de Ciência e Já Mostra Resultados Reais na Descoberta de Remédios

Mithril Medicine tinha, até pouco tempo atrás, um único funcionário. A empresa trabalhava em um tratamento para formas raras de distrofia muscular, uma doença que atinge poucos pacientes demais para interessar as grandes farmacêuticas. Em menos de 18 meses, ela saiu de uma hipótese no papel para resultados promissores em camundongos — coordenando contratos, logística e experimentos em 11 laboratórios externos com a ajuda do Claude. A Anthropic acabou comprando a empresa. É esse tipo de história que a companhia usa para justificar por que está colocando ainda mais dinheiro, em forma de créditos de IA, direto nas mãos de cientistas.

Resposta Rápida (TL;DR): A Anthropic ampliou seu programa AI for Science para incluir 20 fundações, institutos e projetos de pesquisa, de olho em acelerar ciência básica com créditos gratuitos do Claude. No mesmo pacote de anúncios, a empresa detalhou resultados concretos, ainda pré-clínicos, de seis parceiros farmacêuticos usando IA para desenhar remédios — do corte de 89% no tempo de revisão regulatória a um lead de anticorpo dez vezes mais potente que o original.

O que muda no programa AI for Science

O AI for Science nasceu em maio de 2025 como uma forma de dar créditos do Claude a pesquisadores individuais em projetos de alto impacto. A partir de 28 de outubro, a Anthropic passou a trabalhar também com quem financia e sedia essa pesquisa, não só com o cientista isolado.

Do lado de quem distribui créditos para terceiros, entraram a Alfred P. Sloan Foundation, a Simons Foundation, a Schmidt Sciences, o Open Source for Science Fund (ligado à Renaissance Philanthropy), a National Science Foundation dos EUA e a CAS, divisão da American Chemical Society. Do lado de quem usa os créditos internamente, a lista inclui o Space Telescope Science Institute, o Wellcome Sanger Institute, o Francis Crick Institute, o departamento de ciências da vida do Imperial College London, o EMBL e os Gladstone Institutes.

Há também projetos nomeados individualmente: o FlyWire, da Princeton, que mapeia circuitos neurais de moscas; o LEAP, da Columbia, sobre ciência do sistema terrestre; o AstroPath, de Johns Hopkins, em pesquisa de câncer; o gnomAD, do Broad Institute, em genômica populacional; um projeto de matemática batizado Tau Ceti; e o Centre for Population Genomics, ligado ao Garvan Institute e ao Murdoch Children's Research Institute, na Austrália.

A empresa também cita uma parceria mais antiga com o HHMI Janelia Research Campus para desenvolver o Model Hardware Standard, uma especificação ainda em pré-visualização que permite a agentes de IA operar equipamentos de laboratório com segurança. Para quem acompanha o uso cotidiano de IA generativa, vale lembrar que ferramentas como o Glossário de IA ajudam a traduzir termos técnicos como esse para quem não vem da área.

A expansão não nasce do zero. Em outubro, a Anthropic já havia comprometido US$ 150 milhões ao longo de três anos com a Genesis Mission, iniciativa do governo americano para acelerar descoberta científica com IA, disponibilizando o Claude para mais de 15 agências, entre elas NASA, NIH e a própria NSF. A mesma página cita um compromisso anterior — sem data exata divulgada — de dez mil assentos gratuitos ou com desconto do Claude para cientistas acadêmicos. A diferença da expansão de 28 de outubro é o alvo: em vez de falar com o pesquisador isolado, a Anthropic está tentando entrar pela porta das instituições que financiam ciência — um caminho mais lento, mas que tende a alcançar muito mais gente de uma só vez se funcionar.

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Os números que a Anthropic mostra como prova de conceito

Anunciar créditos é fácil. Mostrar que eles geram resultado é outra conversa — e foi isso que a companhia tentou fazer um dia antes, em 27 de outubro, com um relatório detalhado sobre seis parcerias farmacêuticas e um caso interno (o da própria Mithril).

Na Generate Biomedicines, seis cientistas usaram o Claude Code para redesenhar partes de uma terapia com células CAR-T, tentando estender seu uso a tumores sólidos. Um dos desenhos ficou cerca de 70% mais curto que a versão padrão, e a expressão do receptor na célula modificada subiu quase 10 vezes.

Na Divergence Labs, o alvo era um tratamento para alergia alimentar. A partir de objetivos definidos pelos cientistas, o Claude ajudou a gerar por volta de 35 mil desenhos de anticorpos em cerca de um mês — um volume que seria inviável manualmente. Três desses desenhos se ligaram à IgE (a molécula responsável pela reação alérgica) e vinte conseguiram deslocá-la; três superaram o medicamento padrão usado como referência.

Já na BigHat Biosciences, o modelo, conectado ao sistema de dados do laboratório, propôs mudanças em dois fragmentos de anticorpo. As versões otimizadas se ligaram ao alvo mais de 10 vezes com mais força que as originais, uma delas permaneceu estável em solução a 18°C acima do normal e outra demorou mais de 100 vezes para se agregar — detalhes técnicos que, na prática, significam um remédio mais fácil de fabricar e transportar.

O caso mais concreto para quem não é da área biológica talvez seja o da Enveda: o Claude revisou documentação de fabricação e redigiu textos regulatórios, pegando os mesmos 11 problemas que revisores humanos encontraram em 1.061 páginas — e ainda sinalizou outros sete que tinham passado batido. O tempo de revisão humana caiu 89%, de mais de 25 horas para menos de três, e um rascunho regulatório que levava cerca de três meses passou a ser feito em quatro horas.

A tabela abaixo resume os seis casos citados pela própria Anthropic:

Parceiro Frente de trabalho Resultado citado
Generate Biomedicines Terapia CAR-T para tumores sólidos Desenho ~70% mais curto; expressão do receptor ~10x maior
Divergence Labs Tratamento para alergia alimentar ~35 mil desenhos de anticorpo em 1 mês; 3 superaram o padrão
BigHat Biosciences Otimização de anticorpos Ligação >10x mais forte; maior estabilidade térmica
Enveda Documentação regulatória Revisão 89% mais rápida; rascunho em 4h em vez de ~3 meses
TCG / Pleiades Nova empresa farmacêutica com equipe pequena Skill avaliada em 45 pares alvo-doença
Bristol Myers Squibb Avaliação de planos de ensaios clínicos Expansão prevista para 2027

Na Bristol Myers Squibb, farmacêutica consolidada e bem distante do perfil de startup dos outros nomes da lista, o uso é mais discreto: avaliar planos de ensaios clínicos em fase inicial e estimar a chance de sucesso. "A partir de um único prompt, o Claude gerou uma análise inicial robusta", disse Michael Pourdehnad, vice-presidente sênior da BMS, para orientar as opções de desenvolvimento do time.

Por que a empresa está fazendo isso agora

O momento não é aleatório. A Anthropic arquivou o S-1 na SEC para uma oferta pública inicial no fim de outubro, e casos de uso com impacto mensurável — remédio, não só produtividade de escritório — ajudam a sustentar a tese de que a IA generativa vale o investimento que está recebendo. Mostrar que o Claude participa de forma concreta da cadeia de descoberta de fármacos é um argumento mais forte do que estatísticas de adoção corporativa.

Isso não significa que os resultados sejam irrelevantes cientificamente — pelo contrário, a Enveda e a BigHat, por exemplo, lidam com processos regulatórios e otimização de proteínas que são genuinamente difíceis de acelerar. Mas é importante ler os números com o filtro certo: eles vêm de um relatório publicado pela própria empresa que vende a ferramenta, sem revisão por pares e sem comparação com um grupo de controle independente. Todas as moléculas mencionadas, sem exceção, ainda estão na fase pré-clínica — nenhuma foi testada em humanos. No caso da Mithril, a própria Anthropic estima que um candidato a remédio poderia estar pronto para testes em humanos só no fim de 2028.

A empresa também amplia, no mesmo pacote de anúncios, o Life Sciences Verification Program, que afrouxa certas barreiras de segurança do modelo para profissionais de biologia verificados. Pesquisadores aprovados podem obter autorizações de "alto risco", renovadas a cada seis meses, que removem bloqueios específicos para projetos de biologia aprovados — mantendo intactas outras proteções, como os filtros contra uso malicioso em cibersegurança. É um equilíbrio delicado: dar mais liberdade a quem faz ciência legítima sem abrir brecha para uso indevido, e vale observar se laboratórios de outros países, incluindo o Brasil, vão conseguir acesso equivalente.

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O que isso significa para quem não trabalha em laboratório

Para o leitor que não é cientista, o recorte mais útil é este: a Anthropic está testando, em público, até onde um modelo de linguagem consegue ir em tarefas que exigem precisão técnica alta e margem de erro baixa — redigir documentos regulatórios, propor sequências de proteína, planejar ensaios clínicos. Se esse tipo de tarefa funciona com supervisão humana reduzida em biologia, é um sinal do que pode se espalhar para outras áreas regulamentadas, como direito e contabilidade.

Também há uma lição prática de produtividade que atravessa setores: o ganho mais citado pelos parceiros não foi "o Claude substituiu alguém", mas "o Claude comprimiu uma tarefa que levava semanas em horas", liberando o time humano para decisões de maior nível. Isso é consistente com o que a Anthropic já havia descrito em um anúncio anterior sobre o padrão Agent Skills, hoje sob uma fundação neutra para evitar que fique preso a um único fornecedor.

Quem quiser acompanhar de perto os próximos lançamentos de modelos citados nesses relatórios — como o Claude Opus 5.5 e o Claude Mythos, usados internamente pela Anthropic em parte desses projetos — pode consultar o Monitor de Modelos do Turbina IA, que reúne as atualizações relevantes conforme elas saem. Para quem usa o Claude Code no dia a dia, mesmo fora de laboratório, o Guia de Ferramentas de IA do site lista o que cada plano inclui e como ele se compara a outros assistentes de código.

Perguntas Frequentes

O que é o programa AI for Science da Anthropic?

É uma iniciativa, lançada em maio de 2025, que distribui créditos gratuitos (ou com desconto, via um plano Team específico) do Claude para pesquisadores em projetos científicos de alto impacto. Em outubro de 2026, o programa passou a incluir também fundações e institutos que distribuem ou usam esses créditos em nome de equipes maiores, cobrindo biologia, medicina, física, química, climatologia e matemática.

Os resultados em descoberta de remédios já foram testados em humanos?

Não. Todos os casos citados pela Anthropic, incluindo os da Generate Biomedicines, Divergence Labs e BigHat Biosciences, estão na fase pré-clínica, testados em laboratório ou em modelos animais. A própria empresa cita 2027 e 2028 como horizontes para avanços adicionais, como a expansão do trabalho com a Bristol Myers Squibb e possíveis testes em humanos no caso da Mithril Medicine.

Pesquisadores no Brasil podem pedir créditos do Claude para projetos científicos?

A Anthropic não restringe o AI for Science a instituições americanas, mas a lista de parceiros anunciada em outubro de 2026 é majoritariamente dos EUA, Reino Unido e Austrália, sem nenhuma instituição brasileira citada. Pesquisadores interessados podem buscar informações diretamente pelos canais de acesso da Anthropic para cientistas, como o Claude Science e o programa de convidados para investigadores das ciências da vida.

Fontes e Referências

Editor responsávelRafael Menezes

Editor do Turbina IA. Acompanha diariamente os lançamentos de modelos, ferramentas e tendências de Inteligência Artificial para explicar o tema de forma acessível em português. O conteúdo é produzido pela redação com auxílio de IA e curadoria editorial, sempre apoiado em fontes oficiais. Conheça a redação.

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