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Sony e Warner Chappell Processam a Anthropic por Até US$ 150 Mil por Música Usada para Treinar o Claude

Sony Music Publishing e Warner Chappell acionam a Anthropic na Justiça dos EUA por pirataria de letras usadas para treinar o Claude, pedindo até US$ 150 mil

Por Redação Turbina IA6 de setembro de 202610 min de leitura
Sony e Warner Chappell Processam a Anthropic por Até US$ 150 Mil por Música Usada para Treinar o Claude

Trinta e cinco editoras musicais, lideradas pela Sony Music Publishing e pela Warner Chappell Music, entraram com uma ação na Justiça Federal do Distrito Norte da Califórnia em 28 de agosto de 2026 contra a Anthropic — e, de forma pouco comum, também contra os fundadores da empresa, Dario Amodei e Benjamin Mann, nominalmente (TechCrunch). A acusação: a empresa por trás do Claude teria baixado, torrentado e raspado dezenas de milhares de composições protegidas por direito autoral para alimentar o treinamento de seus modelos, sem pagar nada às editoras.

Não é a primeira vez que a Anthropic enfrenta esse tipo de acusação — mas é, até agora, a maior em volume de obras citadas e a que reúne o maior número de selos musicais em um único processo.

Resposta Rápida (TL;DR): Sony Music Publishing e Warner Chappell processaram a Anthropic em 28 de agosto de 2026, alegando que a empresa piratear letras de "dezenas de milhares" de músicas para treinar o Claude. As editoras pedem até US$ 150 mil por obra infringida de forma intencional, o que pode levar o valor total a bilhões de dólares. A Anthropic nega as acusações e diz que vai se defender no tribunal.

O que a ação alega sobre como a Anthropic teria conseguido as letras

Segundo o processo, a Anthropic não teria simplesmente usado letras disponíveis publicamente na internet. A ação afirma que a empresa baixou livros com partituras e cancioneiros de bibliotecas piratas conhecidas, como a Library Genesis e a Pirate Library Mirror, além de raspar letras diretamente de sites como Musixmatch e LyricFind (Axios). Entre as faixas citadas na petição estão "Eye of the Tiger", "Ain't No Mountain High Enough" (composta para Marvin Gaye) e "Paper Rings", de Taylor Swift (TradingView/Benzinga).

A petição também menciona "I Am the Walrus" e "Hallelujah" entre as obras supostamente copiadas (Fortune), e cita "All I Want for Christmas Is You", de Mariah Carey, como um dos exemplos usados para ilustrar o alcance comercial das composições envolvidas. Nas palavras das editoras, resumidas pela imprensa especializada, trata-se de "um dos maiores e mais flagrantes casos contínuos de roubo de propriedade intelectual da história" (Music Business Worldwide).

O argumento central das editoras não é apenas sobre a cópia em si: elas afirmam que o Claude é capaz de reproduzir letras protegidas de forma literal ou quase literal quando solicitado, e que isso cria um produto que compete diretamente com a música feita por compositores humanos — o mesmo tipo de argumento de "substituição de mercado" que vem aparecendo em praticamente todas as disputas de direito autoral contra empresas de IA generativa.

Imagem ilustrativa sobre Sony e Warner Chappell Processam a Anthropic por Até US$ 150 Mil por Música Usada para Treinar o Claude

Os números por trás do processo

A petição pede indenização estatutária de até US$ 150 mil por obra infringida de forma deliberada, mais até US$ 25 mil para cada caso em que a Anthropic teria removido informações de gestão de direitos autorais das obras copiadas (TechCrunch). Como a ação fala em "dezenas de milhares" de composições das editoras supostamente usadas sem licença, a exposição teórica da Anthropic pode chegar à casa dos bilhões de dólares — embora o valor final, se o caso não for encerrado por acordo, dependa de quantas obras um júri realmente considerar infringidas de forma intencional.

Esse processo de agosto não nasce isolado. Ele é o mais recente de uma sequência de ações judiciais movidas por editoras musicais contra a Anthropic desde 2023:

Data Autores da ação Obras citadas Valor pedido
Outubro de 2023 Universal Music Group, Concord Music Group, ABKCO ~500 músicas Não especificado publicamente
Janeiro de 2026 Mesmo grupo (ação ampliada) Mais de 20 mil obras Mais de US$ 3 bilhões
Agosto de 2026 Round Hill Music Catálogo de US$ 1,1 bilhão Até US$ 1 bilhão
28 de agosto de 2026 Sony Music Publishing, Warner Chappell e outras 33 editoras Dezenas de milhares de composições Até US$ 150 mil por obra

A Round Hill Music, uma editora independente, havia processado a Anthropic (e também a Suno) apenas onze dias antes, em 17 de agosto, alegando uso não licenciado de seu catálogo bilionário para treinar modelos de IA (Forbes). Com a entrada da Sony e da Warner Chappell, praticamente todas as grandes editoras do mundo da música agora têm processos ativos contra a empresa.

A sombra do acordo de US$ 1,5 bilhão com autores de livros

Para entender por que as editoras estão confiantes em levar o caso adiante, ajuda olhar para o histórico recente da Anthropic com outro grupo de detentores de direitos: escritores. Em junho de 2025, o juiz William Alsup decidiu, no caso Bartz v. Anthropic, que treinar modelos de linguagem com livros adquiridos legalmente era uso transformador protegido por fair use — mas que manter uma biblioteca central de cópias baixadas de fontes pirata não tinha a mesma proteção.

Essa distinção acabou custando caro: em 20 de julho de 2026, a juíza Araceli Martínez-Olguín deu aprovação final a um acordo de US$ 1,5 bilhão entre a Anthropic e uma classe de autores e editoras de livros, o maior acordo de ação coletiva por direitos autorais já registrado, equivalente a cerca de US$ 3 mil por obra incluída no acordo (TechCrunch). A Authors Guild, que representou parte da classe, descreveu a decisão como um marco para o setor (Authors Guild), e a agência de notícias jurídicas Courthouse News detalhou que o valor final ainda depende da resolução de eventuais recursos antes que os pagamentos comecem (Courthouse News).

É exatamente essa mesma linha de defesa — a distinção entre material obtido legalmente e material pirateado — que deve dominar a nova disputa com as editoras musicais. Se as editoras conseguirem provar que boa parte do material de treinamento veio de bibliotecas pirata, como alegam, o precedente do caso Bartz jogaria contra a Anthropic, não a favor.

Imagem ilustrativa sobre Sony e Warner Chappell Processam a Anthropic por Até US$ 150 Mil por Música Usada para Treinar o Claude

Como a Anthropic está se defendendo

A empresa nega as acusações. Em nota reproduzida pela imprensa especializada, a Anthropic afirmou discordar das alegações das editoras e disse que pretende "se defender vigorosamente no tribunal" (Variety). A empresa também tem invocado publicamente o precedente do próprio caso Bartz, argumentando que treinar modelos generativos com obras protegidas é um uso transformador protegido por fair use — mesma tese usada, com sucesso parcial, na disputa anterior com os autores de livros (Billboard).

A diferença, segundo os advogados das editoras, está justamente na origem do material: enquanto o acordo com os autores de livros reconheceu que parte do treinamento partiu de cópias pirateadas, o novo processo musical tenta provar que o mesmo padrão se repetiu com composições — e que, dessa vez, a empresa já deveria ter aprendido a lição.

Por que isso importa para quem usa IA no dia a dia

Processos como esse raramente mudam da noite para o dia o que um usuário comum vê na tela do Claude, do ChatGPT ou de qualquer outro assistente. Mas eles moldam, aos poucos, quais dados as empresas de IA vão ousar usar no futuro — e quanto vai custar licenciar conteúdo protegido de forma correta, custo que tende a aparecer, cedo ou tarde, no preço dos planos pagos. Quem acompanha o histórico de versões e mudanças de política de uso da Anthropic e de outros laboratórios pode conferir o retrospecto no Monitor de Modelos do Turbina IA.

Vale entender também o conceito jurídico no centro de tudo isso: o "fair use" (uso justo) é a doutrina do direito americano que permite usar trechos de obras protegidas sem autorização em certos contextos, como crítica, paródia ou pesquisa — e é justamente essa doutrina que juízes americanos vêm tentando encaixar, com resultados desiguais, no treinamento de modelos de IA. Uma explicação mais detalhada do termo, e de outros jargões que aparecem com frequência nesse tipo de disputa, está disponível no Glossário de IA do site. Para quem usa modelos de linguagem para tarefas criativas — compor letras, adaptar trechos musicais ou gerar variações de texto — vale também comparar como diferentes assistentes lidam com pedidos que esbarram em conteúdo protegido no Comparador de IAs.

O que vem a seguir

O processo de Sony e Warner Chappell ainda está em fase inicial — não há decisão de mérito, e a Anthropic terá prazo para apresentar sua defesa formal. Histórico recente sugere que casos desse tipo tendem a se arrastar por anos antes de uma sentença, quando não terminam em acordo, como aconteceu no caso dos autores de livros. Mas o volume de processos simultâneos — livros, música de editoras majors, música de editoras independentes — está construindo um quadro em que a forma como uma empresa de IA obtém seus dados de treinamento pode pesar tanto quanto a qualidade do próprio modelo na hora de definir seu valor de mercado.

Perguntas Frequentes

O que a Sony e a Warner Chappell estão pedindo na Justiça contra a Anthropic?

Elas pedem indenização de até US$ 150 mil por música que tenha sido copiada de forma intencional para treinar o Claude, além de até US$ 25 mil por cada remoção de informação de gestão de direitos autorais, o que pode somar bilhões de dólares dado o número de obras citadas na ação.

A Anthropic já perdeu um processo parecido antes?

Sim, mas por acordo, não por sentença: em julho de 2026, a Justiça aprovou de forma definitiva um acordo de US$ 1,5 bilhão entre a Anthropic e uma classe de autores de livros, referente ao uso de obras piratas no treinamento de seus modelos — o maior acordo de ação coletiva por direitos autorais da história.

Esse processo afeta quem usa o Claude hoje?

Não muda o funcionamento do produto no curto prazo. O impacto, se houver, tende a aparecer no médio prazo, seja em restrições sobre que tipo de conteúdo o modelo pode reproduzir, seja em custos de licenciamento que as empresas de IA podem repassar aos usuários.

Fontes e Referências

Editor responsávelRafael Menezes

Editor do Turbina IA. Acompanha diariamente os lançamentos de modelos, ferramentas e tendências de Inteligência Artificial para explicar o tema de forma acessível em português. O conteúdo é produzido pela redação com auxílio de IA e curadoria editorial, sempre apoiado em fontes oficiais. Conheça a redação.

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