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Anthropic Negocia com a Samsung Chip de IA Próprio em Processo de 2nm para Reduzir Dependência da Nvidia

Anthropic discute com a Samsung fabricar chip de IA próprio em processo de 2nm, buscando reduzir dependência da Nvidia.

Por Redação Turbina IA3 de julho de 20269 min de leitura
Anthropic Negocia com a Samsung Chip de IA Próprio em Processo de 2nm para Reduzir Dependência da Nvidia

A corrida por hardware proprietário no setor de inteligência artificial ganhou um novo capítulo nesta semana. Segundo o TechCrunch, a Anthropic, criadora do chatbot Claude, está em conversas com a Samsung Electronics para explorar a fabricação de um chip de IA próprio, utilizando o processo de 2 nanômetros (2nm) da fabricante sul-coreana. A notícia, revelada originalmente pelo veículo especializado The Information, foi confirmada de forma independente pela Bloomberg, que cita fontes familiarizadas com o assunto.

Resposta Rápida (TL;DR): A Anthropic está em negociações iniciais com a Samsung Electronics para desenvolver um chip de IA proprietário usando o processo de 2nm e tecnologia de empacotamento avançado da fabricante sul-coreana. O objetivo é reduzir a dependência da Nvidia, mas o projeto ainda está em estágio embrionário — sem definição sobre uso, desempenho ou arquitetura final do processador.

O que foi revelado sobre as negociações

De acordo com o TechCrunch, as tratativas entre Anthropic e Samsung ainda estão em fase muito preliminar. A empresa não decidiu para que finalidade o chip será usado, qual será sua arquitetura, como ele se encaixará na infraestrutura de servidores ou qual nível de desempenho deverá entregar. Questionada pela publicação, a Anthropic respondeu apenas que uma pilha de hardware diversificada — incluindo chips da Google, da Amazon e da Nvidia — continuará sendo central para sua estratégia de computação, sem confirmar ou negar diretamente a parceria com a Samsung.

A SiliconANGLE reforça esse cenário de indefinição, destacando que ainda não está claro se o futuro acelerador da Anthropic será voltado exclusivamente para inferência — como o Jalapeño, chip da OpenAI desenvolvido em parceria com a Broadcom — ou se terá capacidade híbrida de treinamento e inferência, à moda da GPU Rubin da própria Nvidia. A publicação também nota que a Samsung oferece atualmente dois processos de fabricação relevantes: o de 4 nanômetros, já maduro, e o SF2P, uma variante de 2nm otimizada especificamente para chips de datacenter, com entrada em produção prevista para o fim de 2026.

Imagem ilustrativa sobre Anthropic Negocia com a Samsung Chip de IA Próprio em Processo de 2nm para Reduzir Dependência da Nvidia

Por que o processo de 2nm e o empacotamento avançado importam

O portal sul-coreano TheElec, especializado em semicondutores, trouxe o detalhe técnico mais específico sobre a negociação: a Anthropic estaria considerando não apenas o processo de 2nm da Samsung Foundry, mas também sua tecnologia de empacotamento avançado, capaz de posicionar o processador principal fisicamente mais próximo dos chips de memória. Essa proximidade reduz a latência na transferência de dados e minimiza gargalos — um fator crítico em cargas de trabalho de IA que dependem de alto throughput de memória. Quem quiser entender melhor o que esse tipo de processo de fabricação representa em termos de eficiência energética e densidade de transistores pode consultar o Glossário de IA, que explica conceitos como este de forma acessível.

Segundo o TheElec, no processo SF2P a estrutura do transistor usa um desenho de porta que envolve completamente o canal condutor, reduzindo vazamentos de energia — uma evolução relevante para chips que precisam operar em datacenters de altíssima densidade computacional. A Samsung já fabrica tanto circuitos lógicos quanto memória de alta largura de banda (HBM), o que abre a possibilidade de o futuro chip da Anthropic integrar as duas tecnologias em um único pacote.

Por que a Samsung é a candidata mais provável

Tanto o TheElec quanto o Korea JoongAng Daily destacam um ponto estratégico: em maio, durante sua rodada de captação Série H, a Anthropic anunciou que as três maiores fabricantes de chips de memória do mundo — Samsung Electronics, SK hynix e Micron — haviam se tornado parceiras estratégicas de infraestrutura da empresa. Entre as três, porém, apenas a Samsung possui capacidade própria de fabricação de chips lógicos (foundry), o que a torna, segundo analistas do setor citados pelo Korea JoongAng Daily, a parceira mais natural para viabilizar um processador proprietário de IA.

Se o acordo avançar, a Samsung passaria a somar a Anthropic à sua carteira de clientes de foundry, que já inclui nomes como Tesla, Nvidia e Apple, conforme aponta o TheElec. Vale destacar que a relação entre Samsung e Nvidia é, ao mesmo tempo, de parceria e de potencial conflito de interesses: a coreana fabrica chips essenciais para o treinamento e a execução dos modelos da Nvidia, ao mesmo tempo em que usa o software da própria Nvidia em seus processos de manufatura. As duas empresas, aliás, constroem juntas uma fábrica de chips de IA na Coreia do Sul, segundo o TechCrunch.

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A contratação que sinalizava o movimento

Um detalhe pouco comentado fora da imprensa especializada em semicondutores ajuda a contextualizar o momento do anúncio: segundo o TheElec, a Anthropic contratou no mês passado Clive Chan como membro de sua equipe técnica. Chan já havia trabalhado no desenvolvimento de ASICs (circuitos integrados de aplicação específica) na Tesla e também ocupou funções relacionadas a ASICs na OpenAI — justamente a concorrente que meses antes havia revelado seu próprio chip de inferência. O Korea JoongAng Daily confirma essa informação, descrevendo Chan como alguém que "liderou o programa de chips de IA proprietário da OpenAI" antes de migrar para a Anthropic.

Uma corrida que já envolve todas as grandes empresas de IA

O movimento da Anthropic não é isolado. Pelo contrário, ele reforça uma tendência que já consolidou boa parte da indústria de IA. Conforme resume o Korea JoongAng Daily, a Google treina seus modelos Gemini com as TPUs (Tensor Processing Units) desenvolvidas internamente desde o ano passado; a Amazon Web Services lançou seu chip proprietário Trainium em dezembro; a Microsoft comercializou o chip Maia em janeiro deste ano; e a Meta revelou quatro protótipos de chips de IA em março. A movimentação mais recente antes da Anthropic veio da própria OpenAI, que em 24 de junho apresentou o Jalapeño, acelerador de inferência desenvolvido em parceria com a Broadcom — a mesma empresa que ajudou a Google a construir suas TPUs, segundo a SiliconANGLE.

O TechCrunch sugere que o anúncio da Anthropic pode ser, em parte, uma resposta direta ao movimento da OpenAI, que afirma que o Jalapeño oferece desempenho por watt superior a chips concorrentes. Nesse contexto, entender as diferenças de arquitetura e eficiência entre os principais modelos e infraestruturas de IA se torna cada vez mais relevante — algo que pode ser explorado diretamente no Comparador de IAs do Turbina IA, que acompanha as mudanças nos principais modelos do mercado.

A reportagem brasileira do Olhar Digital resume bem o pano de fundo da disputa: a escassez de chips e o domínio da Nvidia sobre o mercado de GPUs continuam pressionando o setor, empurrando as grandes empresas de IA a buscar alternativas de hardware que reduzam custos operacionais e dependência de um único fornecedor. Segundo o veículo, o foco do setor está deixando de ser apenas o modelo de IA em si e passando a incluir a infraestrutura que sustenta esses sistemas — o chip, cada vez mais, deixa de ser mera peça de infraestrutura e se torna vantagem competitiva.

O custo e o risco de desenvolver um chip próprio

Apesar do entusiasmo em torno da tendência, desenvolver um chip de IA do zero está longe de ser trivial — tanto do ponto de vista técnico quanto financeiro. O Korea JoongAng Daily cita um executivo de uma fabricante de chips coreana, que resume o dilema: "desenvolver chips de IA proprietários é estrategicamente o movimento certo para empresas de IA, mas o design do chip sozinho custa pelo menos 500 bilhões de wones (cerca de US$ 327 milhões)". Segundo a mesma fonte, não há garantia de quando — ou se — o desenvolvimento será concluído.

A SiliconANGLE acrescenta um dado relevante sobre o contexto financeiro da Anthropic: a empresa já se comprometeu, em abril, a comprar mais de US$ 100 bilhões em infraestrutura da AWS ao longo da próxima década, além de manter um projeto de US$ 50 bilhões para construir data centers nos Estados Unidos em parceria com a Fluidstack. Isso indica que, mesmo que o chip próprio avance, a Anthropic deve manter por bastante tempo uma estratégia de hardware multifornecedor — combinando GPUs da Nvidia, TPUs do Google, Trainium da Amazon e, possivelmente, um futuro acelerador fabricado pela Samsung.

O que ainda falta ser definido

Vale reforçar: nenhuma das fontes consultadas confirma que o projeto avançou além da fase de conversas exploratórias. O TheElec é explícito nesse ponto — embora a Anthropic já esteja conversando com múltiplas empresas de design de chips, o projeto ainda não avançou para as etapas de design detalhado, testes ou manufatura efetiva. Procurada pelo TheElec, a Samsung Electronics respondeu de forma lacônica: "não podemos comentar".

Isso significa que, por ora, trata-se de um rumor de alto grau de credibilidade — ancorado em reportagens de veículos como The Information, TechCrunch e Bloomberg — mas ainda sem confirmação oficial de nenhuma das duas empresas envolvidas. Diante da velocidade com que o mercado de infraestrutura de IA tem evoluído, vale acompanhar os próximos desdobramentos diretamente pelo Monitor de Modelos, que rastreia atualizações e lançamentos relevantes no setor.

Perguntas Frequentes

A Anthropic já confirmou oficialmente a parceria com a Samsung? Não. A empresa disse ao TechCrunch que uma pilha de hardware diversificada, incluindo Nvidia, Google e Amazon, continuará central em sua estratégia, mas não confirmou nem negou as conversas com a Samsung.

Para que servirá o chip de IA da Anthropic? Ainda não foi definido. Segundo o The Information, citado por múltiplos veículos, a Anthropic não decidiu se o chip será voltado para treinamento, inferência, ou ambos, nem qual será seu desempenho final.

Por que a Anthropic quer um chip próprio? Para reduzir a dependência da Nvidia, cujas GPUs dominam o mercado de IA e enfrentam escassez recorrente, além de buscar ganhos de eficiência energética com processos avançados como o 2nm da Samsung.

Fontes e Referências

Editor responsávelRafael Menezes

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