noticias

Google Search Substitui Links Azuis por Páginas Geradas com Gemini 3.5 Flash: A Maior Mudança em 25 Anos

Google integra Gemini 3.5 Flash ao Search e cria agentes de informação, encerrando a era dos 10 links azuis. Entenda o que muda.

Por Redação Turbina IA6 de julho de 202612 min de leitura
Google Search Substitui Links Azuis por Páginas Geradas com Gemini 3.5 Flash: A Maior Mudança em 25 Anos

Por mais de duas décadas, digitar uma pergunta no Google significava basicamente a mesma coisa: uma caixa de texto simples, um "Enter" e uma lista de dez links azuis para escolher. Em 19 de maio de 2026, durante o Google I/O, essa lógica começou a ser oficialmente desmontada. A empresa anunciou que o Gemini 3.5 Flash passa a ser o modelo padrão do AI Mode para todos os usuários do mundo, ao mesmo tempo em que revela o que classifica como a maior reformulação da caixa de busca em mais de 25 anos.

Resposta Rápida (TL;DR): O Google anunciou no I/O 2026 que o Gemini 3.5 Flash é o novo modelo padrão do AI Mode no Search, acompanhado de uma caixa de busca redesenhada, capaz de gerar páginas e interfaces sob medida em vez de listas de links. A mudança também introduz "agentes de informação" que monitoram a web 24 horas por dia e entregam atualizações sintetizadas, reduzindo ainda mais o papel dos links tradicionais.

O anúncio: o fim da "caixa de busca" como a conhecíamos

Segundo o blog oficial do Google, a vice-presidente de Search, Elizabeth Reid, descreveu o momento como "a próxima etapa da jornada para unir o melhor de um mecanismo de busca com o melhor da IA". A nova caixa de pesquisa se expande dinamicamente conforme o usuário digita, aceita perguntas longas e conversacionais e permite buscas multimodais — com texto, imagens, arquivos, vídeos ou até abas abertas no Chrome como entrada. O recurso começou a ser distribuído em 19 de maio de 2026, em todos os países e idiomas onde o AI Mode já está disponível.

A TechCrunch resumiu o momento de forma direta: "a era dos dez links azuis terminou oficialmente". Segundo a jornalista Sarah Perez, em vez de retornar uma lista simples de páginas, o Google passa a colocar o usuário dentro de experiências interativas geradas por IA em determinados tipos de consulta — os links continuam existindo, mas deixam de ser a prioridade central da experiência. Essa leitura é reforçada pelo Google em seu próprio anúncio, que descreve o recurso como "a maior atualização em mais de 25 anos" para a caixa de pesquisa.

Um detalhe frequentemente citado por analistas é que o AI Mode, lançado há pouco mais de um ano, já havia ultrapassado a marca de 1 bilhão de usuários mensais antes mesmo dessa nova rodada de mudanças, com o volume de consultas mais que dobrando a cada trimestre, conforme dados divulgados pelo próprio Google. Isso ajuda a explicar por que a empresa decidiu acelerar a transição para uma interface centrada em IA, em vez de manter o modelo de busca tradicional como padrão.

Imagem ilustrativa sobre Google Search Substitui Links Azuis por Páginas Geradas com Gemini 3.5 Flash: A Maior Mudança em 25 Anos

Gemini 3.5 Flash: o motor por trás da mudança

O modelo que sustenta essa reformulação é o Gemini 3.5 Flash, apresentado pelo Google DeepMind no mesmo dia do anúncio de Search. De acordo com o post oficial de lançamento, assinado por executivos como Koray Kavukcuoglu, Jeff Dean, Oriol Vinyals e Noam Shazeer, o 3.5 Flash entrega "desempenho de fronteira para agentes e programação" e já supera o Gemini 3.1 Pro em benchmarks relevantes de tarefas agênticas e de código.

A tabela abaixo resume os números de desempenho divulgados oficialmente pelo Google:

Benchmark Resultado do Gemini 3.5 Flash O que mede
Terminal-Bench 2.1 76,2% Execução de tarefas em terminal/linha de comando
GDPval-AA 1.656 Elo Desempenho em tarefas agênticas complexas
MCP Atlas 83,6% Uso de ferramentas via protocolo MCP
CharXiv Reasoning 84,2% Compreensão multimodal e raciocínio sobre gráficos

Fonte: Google Blog — Gemini 3.5

Segundo o próprio Google, o modelo processa até quatro vezes mais tokens de saída por segundo do que outros modelos de fronteira, o que permitiria respostas praticamente instantâneas mesmo em tarefas complexas. A empresa afirma ainda que tarefas que antes levavam dias para um desenvolvedor, ou semanas para um auditor, agora podem ser concluídas em uma fração do tempo — muitas vezes por menos da metade do custo de outros modelos de fronteira, segundo o anúncio oficial. Empresas como Shopify, Macquarie Bank e Salesforce já estariam testando o modelo internamente para automatizar fluxos de trabalho de várias semanas, de acordo com a mesma publicação. Para quem quer entender como esse tipo de modelo se compara a outras opções do mercado, vale consultar o Comparador de IAs do Turbina IA, que reúne especificações técnicas lado a lado.

Vale notar que, embora o 3.5 Flash já esteja disponível, o Google confirmou que a versão mais robusta da família, o Gemini 3.5 Pro, ainda está em testes internos e só deve ser lançada em meses seguintes — um cronograma que pode ser acompanhado de perto no Monitor de Modelos do site.

Agentes de informação: o Google Alerts reinventado

Uma das partes mais discutidas do anúncio é a chegada dos chamados "agentes de informação". Segundo a TechCrunch, a chefe de Search do Google, Liz Reid, explicou em coletiva de imprensa que esses agentes funcionam de forma autônoma: "você pode enviar um alerta para acompanhar movimentações de mercado em um setor específico com parâmetros bem definidos, e o agente vai mapear um plano de monitoramento, incluindo as ferramentas e os dados que precisa acessar". Depois, o agente mantém o rastreamento das mudanças e avisa o usuário quando as condições estabelecidas são atendidas, entregando uma atualização sintetizada com links para aprofundamento.

O próprio Google dá exemplos práticos: alguém procurando apartamento pode descrever todos os requisitos desejados e deixar o agente vasculhar continuamente novos anúncios, ou um fã de esportes pode ser notificado assim que um atleta favorito anunciar uma parceria de calçados. Esses agentes vão operar 24 horas por dia, cruzando blogs, sites de notícias, redes sociais e dados em tempo real de finanças, compras e esportes.

Como observa a TechCrunch, a ideia em si não é nova: o Google Alerts, lançado em 2003, já cumpria uma função parecida de detecção de mudanças por e-mail. A diferença agora é que, além de detectar mudanças, o sistema também é capaz de interpretá-las e sintetizá-las em linguagem natural. Isso, segundo a reportagem, representa uma inversão de papéis: cada vez mais, é a IA que "navega" pela web em nome do usuário, enquanto a pessoa passa a agir sobre a informação já processada, em vez de clicar manualmente em resultados. Os agentes de informação começam a ser liberados neste verão do hemisfério norte de 2026 para assinantes dos planos Google AI Pro e Ultra, conforme confirmado pelo Google.

Imagem ilustrativa sobre Google Search Substitui Links Azuis por Páginas Geradas com Gemini 3.5 Flash: A Maior Mudança em 25 Anos

Agendamentos, compras e "codificação agêntica" dentro da busca

O pacote de novidades vai além dos agentes de monitoramento. De acordo com o Google, a busca também ganha capacidades agênticas de reserva ampliadas para experiências e serviços locais: o usuário pode descrever critérios específicos — como encontrar uma sala de karaokê privativa para seis pessoas em uma sexta-feira à noite que sirva comida até tarde — e o Search reúne preços e disponibilidade atualizados, com links diretos para finalizar a reserva. Para categorias selecionadas, como reparos domésticos, beleza ou cuidados com pets, o próprio Google pode ligar para os estabelecimentos em nome do usuário. Essas funções chegam para todos nos Estados Unidos ainda neste verão, segundo a empresa.

Há também uma camada de "codificação agêntica" incorporada à busca, combinando o Gemini 3.5 Flash com o Google Antigravity, plataforma de desenvolvimento agêntico da empresa. Na prática, o Search passa a construir "a resposta ideal, no formato certo para a pergunta, completamente sob demanda" — incluindo interfaces gráficas geradas na hora, visualizações e simulações. A TechCrunch descreve isso como resultados de busca que "começam a se parecer mais com páginas web interativas" do que com listas de texto. Quem quiser experimentar na prática esse tipo de interação conversacional com IA generativa pode explorar a seção de Prompts do Turbina IA, com exemplos de como formular pedidos complexos para modelos como o Gemini.

O que muda para quem usa a busca (e para quem depende dela)

A tabela a seguir resume as principais diferenças entre o modelo antigo e o novo, segundo as fontes oficiais e a cobertura jornalística do anúncio:

Aspecto Google Search "clássico" Novo Search com Gemini 3.5 Flash
Formato padrão de resultado Lista de 10 links azuis ranqueados Resposta gerada por IA, com links de apoio
Caixa de busca Campo fixo, otimizado para palavras-chave Campo expansível, aceita perguntas longas e multimodais
Continuidade da conversa Nova busca a cada consulta Perguntas de acompanhamento direto na AI Overview
Monitoramento de temas Google Alerts por e-mail (desde 2003) Agentes de informação 24/7 com síntese por IA
Reservas e tarefas Usuário navega manualmente entre sites Busca finaliza reservas e pode ligar para negócios

Fontes: Google Blog e TechCrunch

Esse redesenho reacende um debate que já vinha crescendo desde o lançamento das AI Overviews. Segundo o Alura, dados do SISTRIX de março de 2026 mostram que a taxa de cliques (CTR) na primeira posição orgânica caiu de 27% para 11% em consultas que exibem AI Overviews. O mesmo texto cita levantamento da SparkToro e da Datos segundo o qual 58,5% das buscas feitas no Google nos Estados Unidos já terminam sem nenhum clique em site externo. Para profissionais de marketing e produtores de conteúdo, a leitura do Alura é direta: a otimização para buscadores (SEO) está sendo parcialmente substituída pela chamada GEO — Generative Engine Optimization —, cujo objetivo não é mais apenas ranquear bem, mas ser efetivamente citado pelas respostas de IA. Termos como esse podem ser consultados em detalhe no Glossário de IA do Turbina IA.

A cobertura em português também chama atenção para o impacto simbólico da mudança. Segundo o Gizmodo Brasil, a previsibilidade que sustentou o mercado de SEO por anos — a ideia de que uma mesma pesquisa entregava resultados parecidos para todo mundo — começa a perder força à medida que as respostas passam a ser personalizadas por usuário, contexto e histórico. Isso levanta uma pergunta que especialistas ouvidos pela publicação consideram delicada: se cada pessoa recebe uma resposta diferente para a mesma pergunta, o Google deixa de funcionar como uma referência comum de informação, o que pode afetar desde o jornalismo até a forma como o conhecimento é verificado coletivamente.

Perspectivas internacionais e o problema dos publishers

Fora dos Estados Unidos, a repercussão também girou em torno do impacto sobre veículos de notícia e criadores de conteúdo. O Alura associa o anúncio à pressão competitiva crescente sobre o Google diante de ferramentas como o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic, que passaram a assumir parte das funções antes exclusivas dos mecanismos de busca tradicionais. Para efeito de comparação de escala, o Google informou que as AI Overviews já somam mais de 2,5 bilhões de usuários mensais e que o AI Mode ultrapassa 1 bilhão — números que a própria TechCrunch contrasta com os 900 milhões de usuários semanais informados pelo ChatGPT, sugerindo que o Google concentra mais usuários únicos ao longo do mês, enquanto o produto da OpenAI teria uma frequência de engajamento maior por usuário.

Do lado regulatório, o Alura destaca que a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA) já vinha pressionando o Google para permitir que editores optem por sair das AI Overviews sem perder visibilidade na busca tradicional — um pedido que, segundo o levantamento, a empresa ainda não atendeu. Esse pano de fundo regulatório reforça que a transição para uma busca centrada em IA não é apenas uma questão de produto, mas também de disputa por tráfego, receita publicitária e regras de mercado entre big techs, veículos de mídia e reguladores em diferentes continentes.

Perguntas Frequentes

O Google vai eliminar totalmente os links azuis da busca? Não. Segundo a TechCrunch, os links continuam existindo e aparecem como apoio às respostas geradas por IA, mas deixam de ser o formato prioritário em boa parte das consultas, especialmente aquelas mais complexas ou conversacionais.

O que muda de fato com o Gemini 3.5 Flash no Search? De acordo com o Google, o modelo passa a ser o padrão do AI Mode globalmente, permitindo respostas mais rápidas, follow-ups diretos nas AI Overviews e geração de interfaces personalizadas para cada pergunta, em vez de uma lista fixa de resultados.

Quando os agentes de informação estarão disponíveis para todos? Conforme anunciado pelo Google, os agentes de informação chegam primeiro, neste verão de 2026, para assinantes dos planos Google AI Pro e Ultra nos Estados Unidos, com expectativa de expansão gradual para mais usuários e regiões depois.

Fontes e Referências

Editor responsávelRafael Menezes

Editor do Turbina IA. Acompanha diariamente os lançamentos de modelos, ferramentas e tendências de Inteligência Artificial para explicar o tema de forma acessível em português. O conteúdo é produzido pela redação com auxílio de IA e curadoria editorial, sempre apoiado em fontes oficiais. Conheça a redação.

Leia Também Recomendados